Ser um bom rapaz foi o meu mal

Ser um bom rapaz foi o meu mal

Larry Gopnik é um calmo professor de matemática judeu que acreditava levar uma vida perfeita. Tudo ia bem no trabalho e em casa, até que um belo dia seu castelo desmorona: um aluno coreano exige tirar uma boa nota, sua esposa avisa que quer o divórcio porque está de romance com um de seus amigos, seus filhos adolescentes reclamam por coisas insignificantes e a polícia está atrás de seu irmão Arthur.

Esse é o mote de Um homem sério (A serious man – 2009), a mais recente comédia de humor negro dos irmãos Joel e Ethan Coen, um dos concorrentes ao Oscar de melhor filme e melhor roteiro original de 2010.

Um homem sério retoma o gosto dos Coen pelo retrô, apresentando um pacato bairro de classe média na América do final dos anos 1960, ao qual somos conduzidos pelo som de Somebody to Love, do Jefferson Airplane, e aterrissamos na casa dos Gopnik.

Os Gopnik parecem ter sido amaldiçoados por seus ancestrais, como nos sugere o conto judeu que serve de prólogo para o filme. Por mais que Larry (Michael Stuhlbarg) e Arthur (Richard Kind) tentem levar uma vida simples, embasados na beleza da matemática e da física, o princípio da incerteza bate à porta, tornando a trajetória de suas vidas, aparentemente bem calculadas, totalmente imprevisível.

Arthur tem um cisto sebáceo e precisa fazer compressas diariamente, mas isso faz com que passe horas no banheiro, enfurecendo Sarah (Jessica McManus), sua sobrinha, que precisa ir à casa de amigas para poder lavar o cabelo. Danny (Aaron Wolff), o outro filho de Larry, tem problemas com um garoto que lhe fornece maconha na escola e faz planos para roubar dinheiro do pai. Judith (Sari Wagner Lennick), esposa de Larry, quer que ele vá morar em um motel para sair bem na fita perante a sociedade e assim poder levar a cabo o pedido de divórcio e realizar um novo casamento com o viúvo Sy Ableman  (Fred Melamed). E quando Arthur finalmente sai de casa, passa a aplicar suas teorias matemáticas no jogo de cartas, bem como se envolve em práticas sexuais não muito usuais para a cidade.

Larry quer obter respostas para todos os seus problemas e segue falando com rabinos, que não lhe dizem nada de concreto. Aos poucos ele percebe que precisa mudar sua postura de “homem sério”, burlando um princípio aqui e outro ali para que as coisas voltem a se encaixar novamente, mas aí a natureza prega outra peça na vida dele e nos demais Gopnik.

Os irmãos Coen fizeram um filme bacana sobre a necessidade de se aprender a rir de si mesmo quando todas as coisas dão errado, embora o princípio da incerteza termine levando tudo à Lei de Murphy.

As chances de ganhar os Oscar são remotas, mas as nominações deram visibilidade à película, que alguns críticos insistem em dizer que é mais do mesmo, porque os Coen não estão sabendo como se reinventar. Assista e tire suas conclusões.

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