O poder da imaginação
Nunca subestime o poder da imaginação. Principalmente a imaginação infantil. É essa a mensagem que Maurice Sendak passa em seu livro Where The Wild Things Are, adaptado para o cinema por Spike Jonze (Quero ser John Malkovich), e batizado no Brasil de Onde vivem os monstros (2009).
Com um elenco de primeira, incluindo Forest Whitaker, Mark Ruffalo, Laure Ambrose e James Gandolfini (vestindo as fantasias dos monstros), e tendo Tom Hanks como um dos produtores, já era garantia de o filme ser bacana, mas quem precisava convencer mesmo era Max Records, que interpreta Max, o garoto que vive com a mãe viúva e a irmã, mas que por não ter delas a atenção desejada, se revolta, encontrando um porto seguro em sua mente criativa, transformando metaforicamente todos ao seu redor, inclusive ele
mesmo, em simpáticos monstros cabeçudos que habitam uma ilha distante.
Na ilha dos monstros, Max é o rei. Ele convence a todos de que não deve ser devorado, pois é o único que pode trazer alegria e segurança para o lugar, promovendo um reinado de confraternização entre os tão dÃspares amigos peludos, sendo o primeiro ato o da construção de uma fortaleza, a qual reconhecerá e eliminará qualquer intruso que venha a atrapalhar a felicidade deles.
Max se deleita em estar junto aos monstros e faz deles a sua famÃlia. Sentindo-se especial e livre para fazer o que quiser, as brincadeiras propostas por Max tornam-se cada vez mais violentas e alguns acabam se machucando. Quando isso acontece, as criaturas passam a questionar o tÃtulo de rei que Max diz merecer, cobrando-lhe as promessas que havia feito. O menino já não se sente tão à vontade na ilha quanto antes porque as inquietações do mundo adulto (das quais ele está fugindo), invadem seu mundo de faz-de-conta e mostram as garras e os dentes afiados.
No lugar onde vivem os monstros, Max tem sua catarse, aprendendo que viver sem regras e restrições pode ser perigoso e cansativo, e que por mais que suas intenções sejam boas, ele não tem como evitar decepcionar os que contam com ele, tal qual foi magoado pelos adultos que ele queria bem.
Spike Jonze surpreendeu por tratar com tamanha sensibilidade os dilemas do mundo infantil, e parece que leu Brincando de matar monstros, de Gerard Jones, pois em Onde vivem os monstros vemos na prática a grande lição que Jones nos deu com suas pesquisas: a criança precisa vivenciar, em seus momentos lúdicos, uma certa dose de violência para extravasar medos e externar poder e controle, uma vez que não os tem no mundo real.

Vou assistir, deve ser muito legal!
É muito bom, Jonas. Na verdade, termina sendo uma fábula mais indicada para adultos do que para crianças.