[Especial] Artistas Portugueses: Jorge Miguel 2
O primeiro post que inaugurou a série “Artistas Portugueses” foi sobre o Jorge Miguel e sua arte. Hoje, chega ao fim esse especial que me deu um prazer enorme em fazer, com a entrevista do próprio Jorge.
Simpatia e bom humor foram uma constante em todos os artistas que entrevistei aqui.
Espero ter colaborado para que os brasileiros saibam que em Portugal também se produz quadrinhos de muito bom gosto, com uma safra de artistas que vem crescendo a olhos vistos (alguns já estão trabalhando com as “grandes” DC e Marvel).
1) Como foi o seu primeiro contato com a arte: desenhando BDs ou pintando telas? Você toparia pintar uma BD completa com a técnica da aquarela?
A BD veio primeiro. Logo desde pequeno quis contar histórias utilizando o desenho e a narrativa com balões. Já desenhei e pintei algumas pranchas de BD ultizando a aguarela. Um album inteiro? Talvez, se os prazos não fossem sempre tão apertados.
2) E essa paixão pelo fore edge-painting, como aconteceu?
Pelo centenário da morte do Eça de Queirós, uma prestigiada galeria da cidade do Porto quis produzir dez colecções, incluindo seis obras do escritor, utilizando sómente primeiras edições ainda publicadas no século XIX. Eram portanto edições raras e valiosas e pediram-me para abrilhantar os conjuntos com uma série de foredge-paintings com temas alusivos aos romances do Eça. Gostei da técnica, e desde aà fiz mais alguns para obras de outros autores.
3) BDs biográficas e históricas, com um leve toque de humor, são suas especialidades. O que lhe motiva a produzir diversos trabalhos dentro dessas duas categorias?
A História de Portugal tem pano para mangas! Alguns episódios dignos de interesse não são sequer conhecidos do grande público. Sendo português, sinto-me na obrigação de colmatar essa falha. Também não será alheio o facto de o meu principal cliente ser uma editora a carácter didáctico e especializada no ensino. Quanto à faceta humorÃstica, já faz parte de mim de tentar evitar qualquer dramatismo fácil e gratuito em que alguns teimam em abusar.
Não quero que as minhas histórias sejam “lições de História”.
4) Se você pudesse escolher, só desenharia os roteiros que escreve ou participaria de projetos coletivos, assinando apenas como desenhista?
No projecto em que estou a trabalhar actualmente, e que estará pronto em outubro deste ano, tive de pedir ajuda a dois colaboradores, uma para ajuda nos textos, outro para as cores. De outra forma, o album nunca veria o dia no prazo estipulado. Este anos festejamos o centenário da república e o meu album trata disso mesmo. Tinha de sair imperativamente este ano e tive mesmo de pedir ajuda. Confesso que a parte mais difÃcil foi saber delegar tarefas: é coisa a que não estou habituado.
5) Você poderia falar um pouco sobre o novo projeto, que tem na equipe o João Amaral como colorista (artista português entrevistado pelo PortalGHQ)?
Este álbum relata o perÃodo entre 1889 e 1917 na História de Portugal. Algumas personagens são fictÃcias, mas as principais são pessoas que existiram realmente e que tiveram papel importante naquele perÃodo. Quero relembrar que 1917 foi o ano em que Portugal entrou na primeira guerra mundial. Aida Teixeira ajudou-me nos textos e o João Amaral está a tratar das cores. Trata-se, penso eu, de uma maneira inovadora de relatar acontecimentos históricos (pelo menos em BD). Como é a primeira vez que não faço tudo sózinho, senti que me saiu algum peso de cima dos ombros e transferi alguma da minha ansiedade para os meus dois cúmplices (eles vão gostar desta). Aida utilizou alguma linguagem sulfúrica e o João é um verdadeiro artista digital. Acho que o resultado vai ser positivo.
Entrevista realizada por e-mail no dia 11 de maio de 2010.

Viva:
Gostaria de saudar a Milena por esta iniciativa.
Pela minha parte espero ter conseguido levar além-Atlântico um pouquinho do nosso trabalho. Muito terá ficado por dizer, mas desta forma os leitores sempre podem investigar um pouco mais sobre os temas que os apaixonam.
Um grande abraço a todos.
João Mascarenhas
Jota, eu quero que todos venham a conhecer o que se produz em Portugal. Esses especiais foram uma pequena mostra de que os quadrinhos portugueses tem muito a dizer ao mundo. Eu tive a oportunidade de adquirir alguns quadrinhos d´além mar e garanto que são de primeira.
Quem sabe alguma editora não se interesse em publicar alguns trabalhos aqui?
Dei a dica. Qualidade é o que não falta!
Olá Milena,
Também eu aproveito esta oportunidade para agradecer uma vez mais a divulgação do nosso trabalho além-mar. Fica uma pequena mostra do que por aqui alguns de nós fazem e também, nisso penso que falo por todos, a paixão que empregamos ao desenvolver as nossas histórias. Fiquei também contente por teres finalizado como começaste, pelo Jorge Miguel que considero um dos nossos grandes artistas. Portanto trabalhar com ele, vai ser um desafio aliciante. Um abraço.