Cláudio Martini

Zarabatana ClaudioRMartini2Cláudio Martini é designer gráfico e editor da Zarabatana Books. Essa entrevista me foi concedida na semana em que o álbum Cicca Dum-Dum estava saindo da gráfica. Para acessar a coluna sobre HQs, assinada pelo Cláudio, no Portal Terra, basta clicar aqui.

Desde o ano de 2006, surgiram várias editoras de pequeno e médio porte, no Brasil, com a proposta de publicar exclusivamente HQs. O que o levou a criar a Zarabatana Books e por que escolheu esse nome?
Ter uma editora de quadrinhos era um sonho de muitos anos. Sempre gostei de livros e HQs, já havia trabalhado para várias editoras criando o design gráfico de livros e revistas, e também havia muitas obras que não eram editadas aqui e que pensava ser muito importante trazer para o Brasil.
Uni essa experiência e o pouco que conheço de quadrinhos para criar a Zarabatana Books.
Já havia pensado no nome Zarabatana para a editora há uns 15 anos. Gosto da sonoridade dele, e também como é escrito, com todos esses “as”. Também é uma arma silenciosa que atinge seu alvo pelo sopro humano e espero atingir muitos leitores de uma maneira certeira e sutil.
A Zarabatana tem seus títulos divididos em sete coleções: Delirium Circus, Mondo Fetish, Gekigá Mangá, Horror Mangá, Politicamente Incorreto, Terra Clara e Love and Rockets, todas com tradução e revisão impecáveis. Como você faz a escolha dos títulos que deseja publicar e como se dá a negociação com os autores e as respectivas editoras?
Estes primeiros títulos saíram de uma lista que fiz, de acordo com meu gosto pessoal, disponibilidade das obras para publicação no Brasil e também, na maioria dos casos, por serem pouco conhecidos aqui. Sempre buscando HQs de autor, com atenção para a qualidade dos desenhos e roteiros.
Os primeiros livros eu negociei pessoalmente com editoras e autores em uma viagem ao Festival Internacional de HQ de Angoulême, na França. Depois, conforme foram saindo os livros e fui formando um pequeno catálogo, a negociação foi ficando mais fácil, pois já tinha alguma coisa para mostrar.
Poucos sabem que você é um bom conhecedor e crítico de HQs, principalmente de BDs. Como surgiu a oportunidade de FIQ_2007 030escrever a coluna sobre HQs, no Portal Terra?
Foi através de um convite de um jornalista que trabalhava no Terra Magazine. Tenho procurado escrever sobre obras, eventos e autores que normalmente não são muito conhecidos. Espero estar trazendo alguma coisa nova para os leitores e aceito sugestões e críticas.

A produção latino-americana é relativamente grande, e a Argentina a lidera, podemos dizer, de ponta-a-ponta. Por que nós brasileiros conhecemos tão pouco esse material? Com Clara da Noite, Cicca Dum-Dum e Macanudo, a Zarabatana aparece para suprir essa carência e pára aí, ou podemos esperar mais novidades dos “nuestros hermanos”?
Confesso que não conheço muito a produção argentina e gostaria de conhecer mais. Dificilmente as obras chegam aqui e o contato maior é através de títulos publicados na Europa, como o excelente Carlos Nine. O que posso dizer é que a Zarabatana estará sempre atenta para HQs de qualidade.

FIQ_2007 032Você, em entrevista ao site Bigorna (24/01/08), mencionou que a Zarabatana poderá editar quadrinhos nacionais. Essa informação procede?
Sim, mas no momento só posso dizer que temos feito alguns contatos e em breve teremos mais notícias.

Entrevista realizada por e-mail, no dia 07/07/2008.