Ric Milk
O Ricardo Leite, mais conhecido no meio quadrinÃstico por Ric Milk, é um desenhista e designer mato-grossense que vem desenvolvendo muitos projetos bacanas, sendo as tirinhas “O diário de um casal” o mais conhecido deles, e que está prestes a ganhar uma coletânea impressa. Nessa entrevista, falamos um pouco sobre alguns desses projetos.
Ricardo, você tem trabalhos muito legais, sejam eles em formato de quadrinhos, tirinhas ou ilustrações publicitárias. Há preferência por algum formato ou o prazer de fazer os três é igual?
Primeiramente, obrigado pela espaço, Milena. Bem, na verdade eu sempre curti o projeto em si. Independente de qual área, seja ela publicitária, editorial ou de animação. Se não for empolgante é como se estivesse carregando pedra.
No tocante à s HQs, um dos seus projetos é a Gorjeta, que tem como caracterÃstica histórias e tirinhas bem humoradas. Esse ano vem mais um número?
A Gorjeta cumpriu seu projeto como revista impressa. Mas ela é como um banda de rock, agora cada um dos integrantes estão com projetos solo, quem sabe role um reencontro, está tendo tanto esse tipo de coisa hoje em dia. O VinÃcius com suas tiras no Diário de Cuiabá, enquanto eu estou com Josi Bel, minha esposa, produzindo as tiras do Diário de um Casal para Folha do Estado e postando no blog ( www.diariodeumcasal.blogspot.com ) . Além disso, a Gorjeta está com projeto de publicar edições especiais, com um única história, a primeira será de um personagem novo, chamado CarnÃbol.
Destino Oeste é um belo álbum. Pra mim, você foi bastante corajoso em publicá-lo, pois são duas histórias, uma desenhada em 1995, e a outra, em 2005. Digo “corajoso”, no bom sentido, porque muitos quadrinistas um pouco mais experientes têm receio e vergonha de mostrar seus traços iniciais. Você deu a cara a tapa, explicando que teve acesso a mais técnicas e conheceu uma porção de artistas que ampliaram seus horizontes. Fica clara a sua evolução. Pra você, que “peso” teve o Destino Oeste?
Destino Oeste na verdade foi minha obra de fôlego. Geralmente iniciamos com hqs curtas, tirinhas…nesse álbum foi um experiência nova, e gratificante. O peso que teve foi a responsabilidade de se fazer uma boa história. Eu costumo comparar o quadrinista com diretores de cinema que à s vezes embarcam em projetos totalmente diferentes um do outro, eu costumo trabalhar, cada livro, cada proposta, com seu estilo de desenho, enquadramento, sequência de forma especial. E o Destino serviu pra poder embarcar nesse universo de maior seriedade e pesquisa. Tô pronto pra outra.
E seu primeiro trabalho estrangeiro, Madagascar (da coleção Dreamworks Tales), da Titan Books? Fale um pouco sobre a emoção de fazer essa HQ.
Olha, Madagascar me pegou de surpresa. Primeiro que sou fã da série, segundo que não esperava mesmo pegar esse serviço. Mandei o site e blog sem nenhuma pretensão, humildemente. Descobri que o pessoal é super gente boa e não era enrolado como alguns “agentes” daqui. Tive experiências desagradáveis com pessoas que se diziam profissionais e que mostraram não ter o menor respeito pelo artista. Mas uma coisa serviu de lição, você pode ser seu agente, as coisas se desenrolam muito melhor assim.
Faz alguns anos, você disponibilizou em seu blog algumas páginas do álbum Big Bang Band – Volcanya Blues, retomando a parceria com o roteirista Gabriel Mattos, de Destino Oeste. A quantas anda esse projeto?
Esse é meu segundo projeto de fôlego. Geralmente eu trabalho esses grandes livros com Gabriel, ele tem uma paciência de monge, não enche o saco, é parceiro mesmo. Volcanya está em andamento mas, por conta da falta de tempo pra concentrar nas páginas, ele vai demorar um pouquinho pra ser publicado. Mas tá sendo feito com carinho, espero que dê mais resultado que o Destino Oeste.
Entrevista realizada por e-mail no dia 26/11/2008.

