Octavio Aragão
O escritor Octavio Aragão, idealizador do universo Intempol, cedeu-me essa simpática entrevista após participar da Fantasticon 2008.
Octavio, você praticamente é o primeiro autor de FC Brasileira a criar um universo que se estendeu da prosa para outras mÃdias, como RPG, animação, games e história em quadrinhos. O céu é o limite para o universo Intempol?
Como falei na Fantasticon, já escrevi tudo que queria sobre a série até agora, mas isso não quer dizer que o projeto tenha acabado. A cada mês aparece mais gente interessada no universo Intempol. Pretendo disponibilizar o RPG no http://www.intempol.com e isso deve chamar ainda mais fãs para a série. Enquanto for divertido e houver público continuarei na luta, mas é importante frisar que tenho muitas outras coisas na cabeça além do Intemverso.
Na Fantasticon 2008, você exibiu um clip da nova HQ, baseada no universo Intempol, “Para tudo se acabar na quarta-feira”, na
qual você escreveu o roteiro. Essa HQ já tem editora e previsão de lançamento? Aproveitando a deixa, o que aconteceu com a graphic novel Um museu de velhas novidades? Ainda será publicada?
Não temos nada. Nem editora, nem previsão de publicação imediata, mas costumo dizer que estamos fazendo Quarta-Feira com um olho no HQMix do ano que vem. Ou seja, tenho esperanças. Museu foi devidamente engavetada, por enquanto. Ela era complexa demais em termos de produção para deixar os artistas esperando por uma editora que se prontificasse a abraçar o projeto. Espero que, talvez, depois de Quarta-Feira, Museu volte à tona, mas não há nada certo.
Falando em Intempol, quais foram as suas referências para criar essa “polÃcia do tempo”, em “Eu matei Paolo Rossi”?
No inÃcio, em 1998, a idéia foi criar uma versão abrasileirada da Patrulha Temporal, de Poul Anderson, presentes nos contos do livro “Guardiões do Tempo”. Mas a forma, a “cara” da Intempol, nasceu do cinema, mais especificamente dos Men in Black; e o clima dos contos posteriores a 1998 é filho direto de Matrix.
Como o universo Intempol é “aberto”, você ainda está aceitando contos, roteiros e esboços de HQs para apreciação? E quem estiver interessado em participar, como deverá fazê-lo?
Claro que estou interessado. É só o autor me contactar por e-mail. Se eu gostar da idéia, não vejo por que não publicá-la. Tenho a honra de ter sido o editor que lançou as carreiras de Osmarco Valladão, Jorge Moreira Nunes, Paulo Elache, Hidemberg Frota e muita gente boa. Mal posso esperar pelos novos talentos que aparecerão por aÃ.
Você também escreve crÃticas de livros de FC. Quais são os melhores autores, hoje, na sua opinião?
Ah, essa pergunta é dolorosa porque com certeza vou deixar alguém importante de fora. Mas, vamos tentar ser esquemáticos: entre os gringos, fecho com Robert Charles Wilson (SPIN), China Miéville (PERDIDO STREET STATION), Neal Stephenson (CRYPTONOMICON), Dan Simmons (HYPERION), J. Gregory Keyes (THE NEWTON’S CANNON), Robert Holdstock (CELTIKA) e, das antigas, o mestre Harry Turtledove (THE GUNS OF THE SOUTH). Ao menos tenho lido esses autores ultimamente.
No Brasil, temos gente de primeira linha despontando, como Flávio Medeiros, Ana Christina Rodrigues, Christina Lasaitis, Clnton Davisson ou Nazarethe Fonseca, lado a lado com caras talentosos que batalham há mais de vinte anos e que só agora, com um certo amadurecimento do mercado editorial, têm chances de mostrar serviço, tais como Fábio Fernandes, Gérson Lodi-Ribeiro e Carlos Orsi. Tem gente muito boa já estabelecida que também detona. Cito Max Mallmann, Ivanir Callado e Bráulio Tavares.
O futuro, pelo que estou vendo agora, será um lugar divertido de morar.
OBS: quem tiver algum trabalho que queira enviar para o Octavio, o e-mail dele é: octavio_aragao@terra.com.br.
Entrevista realizada por e-mail, no dia 17/07/2008.

