<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>GHQ &#187; Entrevistas</title>
	<atom:link href="http://www.ghq.com.br/category/blog/entrevistas-blog/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.ghq.com.br</link>
	<description>Garagem Hermetica Quadrinhos</description>
	<lastBuildDate>Fri, 10 Sep 2010 12:03:01 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Entrevista com Paulo Ramos</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/entrevista-com-paulo-ramos/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/entrevista-com-paulo-ramos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 22:45:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Bienvenido]]></category>
		<category><![CDATA[Blog dos Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[SBPC]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/?p=3146</guid>
		<description><![CDATA[Paulo Ramos é jornalista, professor universitário e integra o Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, além de ser o responsável por um dos blogs mais acessados da internet, o blog dos quadrinhos.
Paulo Ramos é autor e co-organizador dos livros: Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula, A Leitura dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC01678.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3147" title="DSC01678" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC01678-225x300.jpg" alt="" width="147" height="197" /></a>Paulo Ramos é jornalista, professor universitário e integra o Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, além de ser o responsável por um dos blogs mais acessados da internet, <a href="http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/">o blog dos quadrinhos</a>.<span id="more-3146"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Paulo Ramos é autor e co-organizador dos livros: Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula, A Leitura dos Quadrinhos, Quadrinhos na Educação: da Rejeição à Prática e Muito Além dos Quadrinhos.<a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC01679.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3150" title="DSC01679" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC01679-300x225.jpg" alt="" width="246" height="183" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ele veio a Natal para participar da 62ª SBPC e também para lançar seu mais recente livro, <em>Bienvenido &#8211; Um passeio pelos quadrinhos argentinos</em> (o que  infelizmente não foi possível devido à falta de agilidade da Livraria Siciliano de Natal).</p>
<p style="text-align: justify;">Após a mesa-redonda, Paulo gentilmente conversou comigo e com alguns quadrinistas potiguares.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como surgiu a ideia de escrever sobre as historietas argentinas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/linierspauloramos.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3151" title="linierspauloramos" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/linierspauloramos-208x300.jpg" alt="" width="136" height="197" /></a>Surgiu entre 2007 e 2008, mesmo que, na época, eu não tivesse ainda me dado conta disso. Fiz nesse período quatro viagens a Buenos Aires, por diferentes motivos. Cada vez que visitava a cidade, procurava conhecer um pouco mais sobre os até então misteriosos quadrinhos argentinos. As passagens pela capital argentina renderam uma série especial no Blog dos Quadrinhos, página que mantenho no portal UOL. A partir dessas matérias é que a ideia do livro começou a ganhar forma. Muitos colegas e leitores viram nas reportagens o esboço da obra. Assimilei a ideia e decidi reiniciar o projeto do zero, com novas pesquisas e entrevistas. Retornei a Buenos Aires mais duas vezes em 2009, dessa vez especificamente para apurar informações para Bienvenido.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Há artistas que são verdadeiros ícones das historietas, como Héctor <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC01674.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3152" title="DSC01674" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC01674-300x225.jpg" alt="" width="244" height="182" /></a>Oesterheld, Solano López, Roberto Fontanarrosa e Alberto Breccia. As editoras argentinas se preocupam em republicar periodicamente suas obras para que as mesmas cheguem às novas gerações?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Tem havido essa preocupação, sim. Não só na Argentina, como na Europa também. Algumas das melhores edições dos autores que você menciona são de fora da Argentina. Num paralelo com o Brasil, é algo que falta por aqui. Temos pouca memória de boa parte de nossos autores por pura dificuldade de acesso ao que produziram.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>A produção de excelentes tirinhas sempre foi uma tradição argentina, apresentando personagens carismáticos, embora deveras críticos e irônicos, que incitavam reflexões sócio-político-culturais através do humor. Quais dessas tirinhas, com exceção das populares Mafalda e Macanudo, merecem ser publicadas no Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Batu.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3155" title="Batu" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Batu-300x192.jpg" alt="" width="276" height="177" /></a>A Argentina tem essa tradição, é verdade, mas é justo registrar que o Brasil e os Estados Unidos também têm. A diferença é que, na Argentina, o diálogo com o leitor dos jornais é muito maior. Muito desse apelo se deve pela regionalidade dos temas abordados nas tiras, o que dificulta a leitura delas em outro país. Apesar disso, diria que passou da hora de haver uma edição brasileira com tiras de Clemente, de Caloi. Outros personagens interessantes são Yo Matías, de Sendra, Jim, Jam y El Otro, de Max Aguirre e Batu, de Tute. Batu será lançado no Brasil pela Zarabatana.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Leitura dos Quadrinhos, seu livro anterior, vendeu mais de 4.500 </strong><strong>exemplares em apenas um</strong><strong> semestre. Isso mostra que os brasileiros estão finalmente entendendo</strong><strong> quão necessário é ler material teórico sobre a arte seqüencial?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que o livro supre uma lacuna no mercado<strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/leitura-dos-quadrinhos_capa.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3156" title="leitura-dos-quadrinhos_capa" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/leitura-dos-quadrinhos_capa-200x300.jpg" alt="" width="143" height="216" /></a></strong> brasileiro que era a de discutir a linguagem dos quadrinhos por meio de uma obra nacional. Tínhamos uma tradição de boas obras assim na primeira metade da década de 1970. Hoje, estão esgotadas. Tenho plena convicção de que para se entender uma manifestação artística, qualquer que seja ela, é necessário conhecer a história dela e seus recursos. Quanto mais pesquisas e trabalhos sobre quadrinhos tivermos no Brasil, mais bem compreendida será a área. Veja, por exemplo, o quanto sabemos sobre cinema, pintura e literatura por meio do olhar crítico de pesquisadores de diferentes partes do país.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Atualmente, no Brasil, há excelentes pesquisadores, como Waldomiro Vergueiro, Sonia Luyten, João Marcos, Henrique Magalhães e você, cujos trabalhos são focados na instrumentalização dos professores, visando um melhor aproveitamento das histórias em quadrinhos na sala de aula. Como tem sido o feedback desses “professores-aprendizes”?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC01681.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3160" title="DSC01681" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC01681-300x225.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a>Fica honrado em ser incluído numa lista assim, ao lado de pesquisadores tão importantes. Acredito que o diálogo com o ensino é apenas uma das facetas dos estudos ligados aos quadrinhos. E também uma das que exigem respostas mais urgentes por parte dos pesquisadores, dada a recente inserção de obras em quadrinhos nas bibliotecas escolares brasileiras – por meio de um programa do governo federal. Das poucas palestras que tive oportunidade de dar a professores, tenho percebido um comportamento homogêneo por parte deles: desconhecem a linguagem, os autores e as obras em quadrinhos, mas demonstram por ela um interesse sincero. A maioria se restringe ao conhecimento da Turma da Mônica e às tiras de jornal. Quando você mostra que há um volume de obras e de possibilidades muito mais amplo, o docente costuma levar um susto. Muitos dizem que não sabiam que os quadrinhos eram tudo isso, muito provavelmente por ainda terem a visão de que sejam uma forma de leitura exclusivamente infantil e, por isso, menor – o que não passa de um preconceito, como a literatura infantil está aí para comprovar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevista realizada no dia 27 de julho de 2010 (para o Solto na Cidade).<br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/entrevista-com-paulo-ramos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>[Especial] Artistas Portugueses: Jorge Miguel 2</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-jorge-miguel-2/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-jorge-miguel-2/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 13 May 2010 11:18:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[artistas portugueses]]></category>
		<category><![CDATA[BDs biográficas]]></category>
		<category><![CDATA[BDs históricas]]></category>
		<category><![CDATA[Gio]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Miguel]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/?p=2588</guid>
		<description><![CDATA[O primeiro post que inaugurou a série &#8220;Artistas Portugueses&#8221; foi sobre o Jorge Miguel e sua arte. Hoje, chega ao fim esse especial que me deu um prazer enorme em fazer, com a entrevista do próprio Jorge.
Simpatia e bom humor foram uma constante em todos os artistas que entrevistei aqui.
Espero ter colaborado para que os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/JM.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2595" title="JM" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/JM.jpg" alt="" width="100" height="176" /></a>O primeiro post que inaugurou a série &#8220;Artistas Portugueses&#8221; foi sobre o <a href="http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-jorge-miguel/">Jorge Miguel e sua arte</a>. Hoje, chega ao fim esse especial que me deu um prazer enorme em fazer, com a entrevista do próprio Jorge.<span id="more-2588"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Simpatia e bom humor foram uma constante em todos os artistas que entrevistei aqui.<strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/BD-Camoes-58.jpg"><img class="alignright size-medium  wp-image-2597" title="BD Camoes  58" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/BD-Camoes-58-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Espero ter colaborado para que os brasileiros saibam que em Portugal também se produz quadrinhos de muito bom gosto, com uma safra de artistas que vem crescendo a olhos vistos (alguns já estão trabalhando com as &#8220;grandes&#8221; DC e Marvel).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>1) Como foi o seu primeiro contato com a arte: desenhando BDs ou pintando telas? Você toparia pintar uma BD completa com a técnica da aquarela?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A BD veio primeiro.  Logo desde pequeno quis contar histórias utilizando o desenho e a narrativa com balões. Já desenhei e pintei algumas pranchas de BD ultizando a aguarela. Um album inteiro? Talvez, se os prazos não fossem sempre tão apertados.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>2) E essa paixão pelo <em>fore edge-painting, </em>como aconteceu<em>? </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pelo centenário da morte do Eça de Queirós, uma prestigiada galeria da cidade do Porto quis produzir dez colecções, incluindo seis obras do escritor, utilizando sómente primeiras edições ainda publicadas no século XIX. Eram portanto edições raras e valiosas e pediram-me para abrilhantar os conjuntos com uma série de foredge-paintings com temas alusivos aos romances do Eça. Gostei da técnica, e desde aí fiz mais alguns para obras de outros autores.<strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Camoes.-Jorge-Miguel.jpg"><img class="alignleft size-medium  wp-image-2599" title="Camoes. Jorge Miguel" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Camoes.-Jorge-Miguel-218x300.jpg" alt="" width="170" height="235" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>3) BDs biográficas e históricas, com um leve toque de humor, são suas especialidades. O que lhe motiva a produzir diversos trabalhos dentro dessas duas categorias?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A História de Portugal tem pano para mangas! Alguns episódios dignos de interesse não são sequer conhecidos do grande público. Sendo português, sinto-me na obrigação de colmatar essa falha. Também não será alheio o facto de o meu principal cliente ser uma editora a carácter didáctico e especializada no ensino. Quanto à faceta humorística, já faz parte de mim de  tentar evitar qualquer dramatismo fácil e gratuito em que alguns teimam em abusar.</p>
<p style="text-align: justify;">Não quero que as minhas histórias sejam &#8220;lições de História&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>4) Se você pudesse escolher, só desenharia os roteiros que escreve ou participaria de projetos coletivos, assinando apenas como desenhista?</strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/restauracao.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2600" title="restauracao" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/restauracao-300x252.jpg" alt="" width="267" height="224" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No projecto em que estou a trabalhar actualmente, e que estará pronto em outubro deste ano, tive de pedir ajuda a dois colaboradores, uma para ajuda nos textos, outro para as cores. De outra forma, o album nunca veria o dia no prazo estipulado. Este anos festejamos o centenário da república e o  meu album trata disso mesmo. Tinha de sair imperativamente este ano e tive mesmo de pedir ajuda. Confesso que a parte mais difícil foi saber delegar tarefas: é coisa a que não estou habituado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/vinheta.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2607" title="vinheta" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/05/vinheta-139x300.jpg" alt="" width="121" height="261" /></a><strong>5) Você poderia falar um pouco sobre o novo projeto, que tem na equipe o João Amaral como colorista (artista português entrevistado pelo PortalGHQ)?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Este álbum relata o período entre 1889 e 1917 na História de Portugal.  Algumas personagens são fictícias, mas as principais são pessoas que existiram realmente e que tiveram papel importante naquele período. Quero relembrar que 1917 foi o ano em que Portugal entrou na primeira guerra mundial. Aida Teixeira ajudou-me nos textos e o  João Amaral está a tratar das cores. Trata-se, penso eu, de uma  maneira inovadora de relatar acontecimentos históricos (pelo menos em BD). Como é a primeira vez que não faço tudo sózinho, senti que me saiu algum peso de cima dos ombros e transferi alguma da minha ansiedade para os meus dois cúmplices (eles vão gostar desta). Aida utilizou alguma linguagem sulfúrica e o João é um verdadeiro artista digital. Acho que o resultado vai ser positivo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevista realizada por e-mail no dia 11 de maio de 2010.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-jorge-miguel-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>[Especial] Artistas Portugueses: Hugo Teixeira</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-hugo-teixeira/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-hugo-teixeira/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Apr 2010 10:19:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[artistas portugueses]]></category>
		<category><![CDATA[Asa Negra Comics]]></category>
		<category><![CDATA[Bang Bang Ultimate]]></category>
		<category><![CDATA[Hugo Teixeira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/?p=2468</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com Hugo Teixeira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Hugo-Teixeira4.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2473" title="Hugo Teixeira4" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Hugo-Teixeira4-300x224.jpg" alt="" width="261" height="195" /></a>O mangá rompeu fronteiras e se popularizou tão fortemente entre os jovens do séc. XXI, que há diversos desenhistas sendo influenciados pela estética e pela forma de se fazer quadrinhos ao modo japonês.</p>
<p style="text-align: justify;">O Hugo Teixeira é o primeiro quadrinista português a abraçar o quadrinho nipônico e a publicar trabalhos com essa estética, em Portugal. Porém, faz questão de lembrar de suas influências franco-belgas e norte-americanas.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do trabalho com quadrinhos, o Hugo ainda é gerente de uma pequena comic shop, chamada Asa Negra Comics, situada em Almada (Margem  Sul do rio Tejo) <a href="http://www.asanegracomics.net/" target="_blank">http://www.asanegracomics.net<br />
</a></p>
<div>
<p style="text-align: justify;"><strong>1) Como é ser um mangaká em Portugal, Hugo?</strong></p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Antes  de tudo. Eu costumo dizer que não sou mangaka, mas sim autor de BD (ou  HQ, como vocês dizem), com influências nipónicas. Mangaka é uma palavra  japonesa, o mesmo que autor de HQ. Eu digo isso pois não desenho só em  estilo manga, tenho <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Hugo-Teixeira2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2476" title="Hugo Teixeira2" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Hugo-Teixeira2-300x225.jpg" alt="" width="316" height="236" /></a>influências de HQ europeia. Para os interessados  podem ver a minha galeria na deviantART no meu blog só faço &#8220;posts&#8221; com  coisas mais relacionadas com o estilo manga, em <a href="http://htx.deviantart.com/" target="_blank">http://htx.deviantart.com</a></p>
<p style="text-align: justify;">Voltando  à questão em si, devo admitir que quando penso que editei um álbum  estilo manga e sendo um dos primeiros entro um pouco em pânico pois sou  usado como modelo, muitas vezes referido como vanguardista, e é algo que  me pesa em termos de responsabilidade. Havendo pessoas que gostam e  outras que detestam, começo a pensar demasiado nisso. No que as pessoas  vão dizer, críticas e muitas vezes não reajo da melhor forma a críticas  negativas.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto tenho vindo a reformular o meu pensamento,  não ligando muito ao que os outros dizem e faço as coisas por gosto.  Além disso após o Bang Bang Ultimate, tenho tido um feedback  extraordinário pela malta jovem. Desde malta aspirante a artista até  simples leitores. É engraçada a analogia que muitas vezes os mais velhos  conseguem fazer, conseguem captar coisas que passam totalmente  despercebidos aos mais novos. Esta é uma daquelas coisas que eu sempre  tive em mente como característica de um manga, independentemente do seu  género.</p>
<div>
<p><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/M_A_C_R_O_S_S__Z_E_R_O_by_htx.jpg"><img class="alignleft size-full  wp-image-2477" title="M_A_C_R_O_S_S__Z_E_R_O_by_htx" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/M_A_C_R_O_S_S__Z_E_R_O_by_htx.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><strong>2)  Quais são as principais influências em sua arte e quais os mangás e  animes que não saem de sua cabeceira ou DVD?</strong></p>
</div>
<p style="text-align: justify;">A  nível de traço, sou altamente influenciado pelo Tsutomu Nihei autor de  “Blame!”, pois foi este primeiro <em>manga </em>que investiguei a sério,  dando imenso ênfase aos cenários que considero também como personagens.  Gosto do Yukito Kishiro, autor de “Gunnm” e “Gunnm Last Order”, venero a  sua arte. Acho que tenho também algumas influências do Hiroaki Samura  criador do “Blade of The Immortal”, com o seu traço “nervoso”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho também vindo a  influenciar-me pela Manhwa, (manga Coreana) estou a gostar imenso do  estilo de Park Joong-Ki autor do “Shaman Warrior”.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos dizer também que sou  influenciado pela BD francófona, estranhamente são os meus dois géneros  favoritos (manga e franco-belga), gosto de<a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Cute_Killer_Bill_by_htx.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2480" title="Cute_Killer_Bill_by_htx" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Cute_Killer_Bill_by_htx-212x300.jpg" alt="" width="182" height="258" /></a> Frezzato autor “d’Os  Guardiães de Maser”, de Civiello com as suas gigantes e espectaculares  pranchas pintadas em grandes formatos. Uma outra obra que me marcou  bastante foi “Fadas e Ternos Autómatos” de Béatrice Tillier e Téhy,  temos por último e não menos importante a dupla Barbucci e Baneppa  autores da “Sky Doll”.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos animes que vejo de momento é o Tegami Bachi (Letter  Bee) tem uma certa beleza poética, não só na escrita como também nas  imagens. Em termos de manga, gosto imenso de One Piece, é bastante  divertido e faz-me rir imenso. Relativamente a títulos mais adultos,  leio de momento Pluto de Urasawa e Tezuka, Dogs e claro Gunnm (ou Battle  Angel Allita) este é um dos meus mestres, presença obrigatória na  cabeceira. <img src='http://www.ghq.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<div>
<p style="text-align: justify;"><strong>3) Bang Bang, seu mangá de ficção científica, além de ter  sido bastante elogiado, foi o primeiro mangá criado e editado em  Portugal. Em 2009, você começou uma nova série, intitulada Bang Bang  Ultimate. Há planos para que Bang Bang se torne uma série continuada,  como ocorre com a maioria das publicações japonesas?</strong></p>
</div>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/BANGBANGULTIMATE1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2483" title="BANGBANGULTIMATE1" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/BANGBANGULTIMATE1-200x300.jpg" alt="" width="176" height="265" /></a>O  Bang Bang Ultimate reúne os dois primeiros volumes editados e mais dois  capítulos, desta vez foi editado em formato Tankobon que é o formato  usado no Japão. Penso que teria sido melhor ter editado logo neste  formato.</p>
<p style="text-align: justify;">Os volumes anteriores foram um teste, para ver as  reacções das pessoas, se não fossem essas reacções e o primeiro volume  ter esgotado rapidamente, eu não teria continuado a história.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim  terá continuação, estou a pensar pelo menos em 3 volumes, e depois  talvez faça uma &#8220;prequela&#8221; com uma personagem, não posso revelar qual. É  uma personagem que não é bem aquilo que aparenta ser, surgiu-me por  isso a ideia de contar ou explicar o seu passado <img src='http://www.ghq.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<div>
<p><strong>4) Você também é  ilustrador e gosta de colorir seus próprios trabalhos, tanto à mão  quanto no PC. Também mencionou em seu blog que não curte arte-finalizar  no Photoshop. No geral, os seus trabalhos fluem melhor quando são feitos  de forma tradicional (papel e lápis) ou com as muitas possibilidades da  tablet?</strong></p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Não sei se aqui é o caso de ficar melhor  ou pior, apenas gosto de fazer tudo o mais tradicional possível, isto  advém, talvez, do meu gosto pela pintura nomeadamente aguarela e  acrílico. Gosto de sentir a textura do papel, o cheiro da tinta e sujar  as mão QB.<a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Hugo-Teixeira3.jpg"><img class="alignright size-medium  wp-image-2484" title="Hugo Teixeira3" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Hugo-Teixeira3-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje em dia faço as cores e aplico tramas digitalmente,  ou até layouts, é tudo bastante mais rápido&#8230; Mas como diz o mestre  George Pratt, no desenho ou pintura digital nunca existe um original,  para se obter um original para uma exposição por exemplo tem que se  tirar uma cópia, por isso conclui-se que é sempre algo virtual, não  existente em formato físico.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tenho absolutamente nada  contra as pinturas ou desenhos digitais, gosto bastante da arte e  admiro-a. Sobretudo a paciência dos artistas, pois é realmente isso que  me falta quando desenho com a tablet. Sou capaz de passar horas com um  pincel na mão a pintar a aguarela, mas não sou capaz de o fazer com a a  tablet.</p>
<div>
<p><strong>5)  Percebe-se que você tem um fraco por fadas, duendes e bruxinhas. Pode  vir alguma história das ilustrações “soltas” que estão postadas em seu  <a href="http://htx-manga.blogspot.com/">blog</a>?</strong></p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Sim, tenho fascínio por ficção científica e  fantasia. Há algum tempo que me perguntava o  porquê a fantasia (e  quando falo nisto refiro-me a todo aquele universo com todos os seres  míticos, provenientes maioritariamente do folclore, lendas que foram  alteradas com o tempo) e depois a ficção científica com as naves, robôs,  etc? <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Hugo-Teixeira5.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2487" title="Hugo Teixeira5" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Hugo-Teixeira5-216x300.jpg" alt="" width="180" height="251" /></a>Cheguei a uma conclusão: ambos os temas são muito mais parecidos  do que a maior parte das pessoas pensa, separa-os linhas finas quase  invisíveis. A maior parte da ficção científica não tem bases sólidas  científicas. Não há muita diferença entre o ET ou outros ETs da Star  Wars (por exemplo) e os Elfos e os Gnomos etc.</p>
<div style="text-align: justify;">Estão interligadas e se calhar tem tudo a ver com imaginar mundos  diferentes do do quotidiano e poder fugir um pouco do mundo presente&#8230;  gosto de imaginar o futuro, pensando em actos ou erros passados.</div>
<div style="text-align: justify;">Relativamente à questão, sim, todas aquelas ilustrações são  estudos de personagens e ambientes para um dos meus próximos projectos.  Este vai ficar em segredo, só posso dizer que será a cores. Vou apenas  apresentar a primeiras páginas talvez, e continuar com as ilustrações  soltas das personagens. <img src='http://www.ghq.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </div>
<div style="text-align: justify;">É curioso que já recebi um  email com uma ideia ou sinopse com uma história para essas personagens  <img src='http://www.ghq.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </div>
<div style="text-align: justify;"><em>Entrevista realizada por e-mail no dia 19/04/2010.</em></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-hugo-teixeira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>[Especial] Artistas Portugueses: João Mascarenhas</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-joao-mascarenhas/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-joao-mascarenhas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Apr 2010 10:57:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[artistas portugueses]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Qual Albatroz]]></category>
		<category><![CDATA[João Mascarenhas]]></category>
		<category><![CDATA[O Menino Triste]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/?p=2411</guid>
		<description><![CDATA[João Mascarenhas, ou simplesmente JotaEme, é o pai de um menino bastante popular em Portugal, tanto que já virou estampa de selo e trilha todos os grandes eventos de BDs das terras lusitanas.
Descubra nessa entrevista se o  Menino Triste é o João Mascarenhas ou se o João Mascarenhas é o Menino Triste.
1) Em quem você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/fibda4.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2415" title="fibda4" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/fibda4.jpg" alt="" width="167" height="233" /></a>João Mascarenhas, ou simplesmente JotaEme, é o pai de um menino bastante popular em Portugal, tanto que já virou estampa de selo e trilha todos os grandes eventos de BDs das terras lusitanas.<span id="more-2411"></span></p>
<p>Descubra nessa entrevista se o  Menino Triste é o João Mascarenhas ou se o João Mascarenhas é o Menino Triste.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1) Em quem você se inspirou para criar o Menino Triste?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não foi necessário andar muito. Procurei dentro de mim, das minhas memórias e experiências enquanto ser humano, juntei um pouco de fantasia, e assim nasceu O Menino Triste. Ou seja, pode-se dizer que ele é o meu Alter Ego. Assim, algumas das personagens são inspiradas ou nos meus amigos,<a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Meu-selo-MT.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2416" title="Meu selo MT" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Meu-selo-MT-300x279.jpg" alt="" width="252" height="233" /></a> ou em outras pessoas, que sejam importantes para o desenvolver das histórias.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>2) No primeiro álbum do Menino Triste, A Essência, você explorou um tema filosoficamente recorrente, embora muito pouco abordado na Banda Desenhada, que é o questionamento da essência da arte. Qual o por que da escolha desse tema?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como disse acima, as histórias d’O Menino Triste são baseadas na minha vivência, nos meus pensamentos, nas minhas preocupações, no meu dia-a-dia. Durante muitos anos eu discuti com os meus amigos (e ainda discuto) por que é que o que algumas pessoas fazem é considerada ARTE,  enquanto o que outras fazem não o é? No fundo, questiono-me afinal, sobre o que é a Arte? Não pretendo encontrar respostas definitivas, mas sim questionar e reflectir sobre o tema. Cada leitor terá a sua própria interpretação em função do seu saber cognitivo. E a falta de inspiração (que às vezes nos assalta) é o pretexto de partida para toda a história.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/MeninoTriste.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2417" title="MeninoTriste" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/MeninoTriste-215x300.jpg" alt="" width="174" height="243" /></a>A história decorre entre Coimbra (onde estudei na Universidade) e Veneza. É que das muitas leituras que tenho feito, Veneza sempre abrigou grandes nomes da História da Arte Mundial, que lá viveram ou por lá passaram. Então, achei lógico que fosse nessa cidade que se encontrasse o segredo da Essência da Arte.</p>
<p style="text-align: justify;">Pesquisei imenso para completar este álbum. Durante mais de dois anos li libretos de óperas (Parsifal, A Flauta Mágica,&#8230;), peças de teatro (O Mercador de Veneza,&#8230;), textos da Maçonaria Veneziana, textos filosóficos (Sigmund Freud, Martin Heidegger,&#8230;), arquitectura,&#8230; só para citar alguns, e no final fiz a minha filtragem e interpretação, que se poderá resumir numa das frases chave da história: “O que não se vê, apenas se revela a quem saiba procurar dentro de si”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>3) É verdade que você já autografou com uma caneta cuja a tinta continha o seu próprio DNA? Deve ser legal levar pra casa, além do álbum, a essência do autor, não é mesmo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi uma ideia que apareceu de repente à minha frente, e eu agarrei-a, pois ainda (quanto eu saiba) ninguém a tinha feito no mundo da Banda Desenhada. Eu trabalho profissionalmente como investigador científico, e no Laboratório onde trabalho existe um grupo especialista em Biologia Molecular. Lancei-lhes o desafio e eles de imediato aceitaram. A editora que publica os livros, a Qual Albatroz, também achou a ideia simpática. Assim, o meu amigo Dr. José Matos extraiu o meu DNA a partir de fios do meu cabelo. O DNA foi multiplicado, colocado em suspensão numa solução alcoólica e misturado na tinta da china (nanquin) que eu utilizei para autografar os álbuns.</p>
<p style="text-align: justify;">É que como o DNA é a essência de cada ser vivo, e o álbum se chama exactamente “A Essência”, pareceu-me fazer todo o sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>4) No seu blog, há diversas homenagens a vários personagens e autores de BDs europeias e norte-americanas, na série “<em>d’aprés&#8230;</em>”, como Hergé, Boucq, José Carlos Fernandes,  Batem  e Tara McPherson. Alguns desses artistas (os que estão vivos, obviamente) considerou em fazer um crossover com o Menino Triste?</strong><strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Tara_MT.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2422" title="Tara_MT" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Tara_MT-300x212.jpg" alt="" width="267" height="188" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Essa foi também uma daquelas ideias espontâneas. O que eu faço é desenhar uma cena com O Menino Triste e alguma personagem de um determinado autor, no seu próprio estilo, e depois deixo um balão para eles escreverem uma frase a propósito da mesma e assinarem esse trabalho juntamente comigo. Todos os que eu tenho abordado, têm achado a ideia simpática e fazem-no com um enorme sorriso nos lábios, e os resultados têm sido extraordinários.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a um eventual <em>crossover</em> feito por esses autores, nunca coloquei essa questão a nenhum deles, por isso não sei qual seria a resposta. O mais próximo disso foi um conjunto de oito autores Portugueses que eu em 2005 convidei a realizarem uma ilustração d’O Menino Triste ao seu estilo, e cujos trabalhos estiveram em exibição no Festival Internacional de BD da Amadora nesse ano. Esses oito trabalhos podem ser vistos no meu blog, na série “Os Amigos de ÉmeTê”. Houve também um autor, o Álvaro, que realizou uma história hilariante onde O Menino Triste aparece.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/punk_blog.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2425" title="punk_blog" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/punk_blog-279x300.jpg" alt="" width="209" height="224" /></a>5) Um novo álbum do Menino Triste está para ser lançado esse ano, o Punk Redux. Fale um pouco sobre ele.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de ter realizado “A Essência” tencionava deixar O Menino Triste “descansar” uns tempos e fazer outros trabalhos que tenho planeados.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, um dia acordei com uma imagem na cabeça: O Menino Triste com uma “crista” moicana, agarrado a uma guitarra, sobre um fundo amarelo, numa alusão ao álbum dos Sex Pistols. Acto contínuo, sentei-me no estirador e desenhei-a, colocando-a de seguida no blog. Comecei a receber e-mail e contactos de amigos e leitores a perguntarem-me se esse era o tema do próximo livro. Na altura não tinha isso em mente, mas achei a ideia interessante. Eu tinha estado pela primeira vez em Londres em 1976, e tive um contacto muito giro com alguns dos punks que na altura começavam a fazer ouvir a sua voz discordante. Identifiquei-me imenso com as questões que eles defendiam e lutavam. E tive experiências muito, muito enriquecedoras, chegando quase a tocar numa banda punk.</p>
<p style="text-align: justify;">Então falei nessa ideia à Qual Albatroz, a editora, e uma vez mais eles acharam de imediato que a ideia tinha “pernas para voar” (é um dos slogans da Qual Albatroz) e estamos nesta altura a ultimar o PUNK REDUX. A<a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Joaomascarenhas.jpg"><img class="alignright size-medium  wp-image-2426" title="Joaomascarenhas" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Joaomascarenhas-300x206.jpg" alt="" width="234" height="160" /></a> história de um miúdo que vem de um país cristalizado (como era o Portugal da altura), embora num processo de revolução e que dá de caras com uma outra “revolução”, e uma realidade ultra-vanguardista, em curso em Inglaterra, que fez alterar imensas coisas, e não apenas ao nível da música. São os imensos contrastes com que ele se vai deparando que me interessaram contar, chegando O Menino Triste a fazer parte de uma banda (Suzie and the Banshees) que vai tocar no primeiro festival punk de Londres, no 100 Club.</p>
<p style="text-align: justify;">A editora gostou tanto da ideia, que estamos a tentar pôr de pé uma banda Punk, que irá actuar no dia do lançamento do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevista realizada por e-mail no dia 11 de abril de 2010.</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O JotaEme fez um wallpaper exclusivo para o portalGHQ. Clique <a href="http://www.ghq.com.br/wallpapers/joao-mascarenhas/">aqui</a> para copiá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Gostou da entrevista e quer ficar por dentro das peripécias de O Menino Triste? Então, acesse o  seu <a href="http://omeninotriste.blogspot.com/">blog</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-joao-mascarenhas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>[ESPECIAL] Artistas Portugueses: Mário Freitas</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-mario-freitas/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-mario-freitas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 11:09:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[artistas portugueses]]></category>
		<category><![CDATA[Kingpin Books]]></category>
		<category><![CDATA[Kingpin Comics]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[Super Pig]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/?p=2299</guid>
		<description><![CDATA[
Mário Freitas é um jovem empresário, editor, roteirista de quadrinhos e baixista de uma banda que  é o dono da comic shop portuguesa Kingpin Books, situada em Lisboa, e que está à frente da editora Kingpin Books.
Bastante atencioso e perfeccionista, Mário se desdobra pra dar conta de tantas atividades, mas procura fazer o melhor em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/máriofreitas.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2301" title="máriofreitas" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/máriofreitas-197x300.jpg" alt="" width="156" height="238" /></a>Mário Freitas é um jovem empresário, editor, roteirista de quadrinhos e baixista de uma banda que  é o dono da comic shop portuguesa <a href="http://kingpinbooks.net/">Kingpin Books</a>, situada em Lisboa, e que está à frente da editora Kingpin Books.<span id="more-2299"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Bastante atencioso e perfeccionista, Mário se desdobra pra dar conta de tantas atividades, mas procura fazer o melhor em cada uma.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente editou as BDs Mucha e A fórmula da Felicidade &#8211; vol. 2 e prepara outras histórias de seu personagem mais famoso, o Super Pig.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1) Mário,  conte um pouco como começou seu contato com as BDs e o que o levou a  abrir uma comic shop, em Lisboa, e também criar um selo editorial.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu leio BD desde que me lembro e a minha primeira memória é  de recortar as vinhetas do Spirou e Os Herdeiros, teria provavelmente  uns 4 anos no ano remoto de 1976. A partir daí, passei dos clássicos  franco-belgas (Astérix, Tintin, Blake &amp; Mortimer) para os  super-heróis americanos e o resto, como se diz na gíria, é história.  Abrir uma loja de BD foi juntar a minha formação académica em gestão de  empresas e o meu dinamismo empresarial com a minha grande paixão pela  BD. Quanto ao selo editorial, prendeu-se com a avaliação negativa que  fazia, e ainda faço, sobre a qualidade da edição independente em  Portugal. Eu prezo muito o design, a estética, a narrativa, e a  esmagadora maioria das pequenas edições em Portugal (e atá muitas  edições de maior responsabilidade) falham gritantemente nesse aspecto.  Por isso foi mesmo uma questão de &#8220;put your money where your mouth is&#8221;,  ou seja, não me limitar a ser crítico, mas provar, de facto, que se  conseguia fazer muito melhor; mais ainda, que se conseguia melhor  continuamente, oscultando sobretudo as opiniões válidas e  especializadas, e procurando incrementos visíveis nos aspectos técnicos  das edições.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2) Qual a sua visão do  mercado português de BDs? Predominam os mangás e os super-herois, como  aqui no Brasil? Há espaço para os artistas novos e os projetos  independentes?</strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/kingpin1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2303" title="kingpin1" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/kingpin1-289x300.jpg" alt="" width="264" height="274" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O mangá tem  vindo a explodir nos últimos anos em Portugal e creio que não é exagero  nenhum se disser que é já o segmento dominante. O mercado português,  aliás sofreu duas grandes transições ao longo dos últimos 30 anos: até  final dos anos 70, a BD predominante era claramente a franco-belga  clássica, a que não era alheio uma certa francofonia da sociedade  portuguesa; a partir do início dos anos 80, muito graças às importações  da Editora Abril, os leitores viram-se progressivamente para os comics  americanos. Isto é acompanhado pela influência crescente das séries e  filmes americanos e ingleses. Finalmente, no virar do século, a  tecnologia, os vídeo-jogos e afins empurraram a sociedade cada vez mais  para o oriente e começamos a ver uma geração com influências nipónicas  cada vez mais marcantes, das quais o mangá e o anime são indissociáveis.  Quanto aos pequenos projectos, nos quais insiro as minhas edições,  dependem sobretudo da qualidade, dinamismo e capacidade de execução real  de cada um. A impressão digital e o print-on-demand vieram revolucionar  a forma como se criam livros e edições e agora só depende de cada um a  concretização efectiva dessas ideias editoriais.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/CapaTXcomicsCopy.jpg"><img class="alignleft size-medium  wp-image-2304" title="CapaTXcomicsCopy" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/CapaTXcomicsCopy-300x224.jpg" alt="" width="252" height="188" /></a><strong>3) A Kingpin Comics  está aberta a editar artistas de todas as partes do mundo ou apenas  portugueses e/ou que residam em Portugal ?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">De toda a  parte. Aliás, em Outubro passado, editei a primeira edição mundial em  livro dos comics online do colectivo canadiado TX Comics, dos criadores  Cameron Stewart, Karl Kerschl e Ramón Pérez, qualquer deles conhecidos  por trabalhos nas grandes editoras americanas, em especial na DC. Como  eu disse precisamente no prefácio que escrevi nessa edição, eu não os  editei por serem canadianos, nem deixaria de o fazer por essa razão;  editei-os por serem autores de grande qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4) Além de  empresário, você é editor, roteirista, arte-finalista e letreirista,  tendo ministrado aulas na própria Kingpin. Como consegue conciliar  tantas atividades?</strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/18.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2305" title="18" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/18-296x300.jpg" alt="" width="192" height="195" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Trabalhando  12 horas por dia, em muitos casos. E faltou mencionar que componho e  toco baixo (embora seja guitarrista de raiz) numa banda <img src='http://www.ghq.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' />  É óbvio que  muitas vezes tenho de sacrificar algumas facetas em prol das outras e  isso tem acontecido sobretudo com a vertente da escrita de roteiros para  BD, como especifico já já na resposta à pergunta seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5) Tive a oportunidade  de ler o primeiro número de Super Pig, via scan, num link que você  mesmo postou em seu blog. O Super Pig é um personagem fixe. Você  pretende continuar escrevendo mais histórias com ele?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escrevi 4 números do Pig entre Outubro de 2006 e Maio e 2008, e tenho  várias outras histórias definidas e arquitectadas na minha cabeça. Uma  das coisas, aliás, que fiz inicialmente foi escrever uma espécie de  manifesto em que tracei o plano inteiro para cerca de uma dúzia de  números do Pig. Infelizmente, todos os outros afazeres empresariais e  editoriais têm-me <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/superpigiv01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2306" title="superpigiv01" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/superpigiv01-211x300.jpg" alt="" width="169" height="239" /></a>afastado de alguma forma de concretizar enfim essas  ideias e escrever guiões completos. Comecei, perto do final do ano  passado, a escrever finalmente o que será o Super Pig 5, embora num  formato ligeiramente diferente dos anteriores, mais extenso, mais  próxima do fromato graphic novel, em detrimento do comic book. Mas lá  está, as tais obrigações urgentes levam a que essa escrita seja  permanentemente interrompida e avance a um passo glaciar. A escrita,  pelo menos com a qualidade a que me exijo, obriga a rigor, concentração e  dedicação, o que é algo que neste momento, manifestamente, não posso  assegurar. Depois do ANICOMICS LISBOA2010, evento que estou a dirigir e  organizar, e que ocorrerá em Maio, conto finalmente poder levar a  conclusão do roteiro a bom porto. Entretanto, vou trocando impressões  com o artista que irá ilustrar o livro, o GEvan.. (que fez já o Pig 3 e  4), que me presenteou já com alguns esboços de deixar água na boca.  Curiosamente, isto tem sido a primeira vez na minha carreira editorial  que tenho o artista a &#8220;pressionar-me&#8221; para lhe entregar o roteiro,  quando geralmente tenho de ser eu a pressionar os artistas, quer na  qualidade de roteirista, quer na editor. Mas é uma questão de tempo e de  timing, e acredito que &#8220;Super Pig: O Impaciente Inglês&#8221; será realmente  uma BD inovadora e bombástica, porque é o argumento mais arrojado que já  escrevi e a arte do GEvan.. evoluiu para níveis estratosféricos durante  os últimos 2 anos. Fiquem atentos <img src='http://www.ghq.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevista realizada por e-mail no dia 10 de abril de 2010.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-mario-freitas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>[Especial] Artistas Portugueses: Nuno Duarte e Osvaldo Medina</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/especial-entrevista-com-nuno-duarte-e-osvaldo-medina/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/especial-entrevista-com-nuno-duarte-e-osvaldo-medina/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 12:26:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[A fórmula da felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[artistas portugueses]]></category>
		<category><![CDATA[Nuno Duarte]]></category>
		<category><![CDATA[Osvaldo Medina]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/?p=2208</guid>
		<description><![CDATA[

Eles lançaram o segundo e último volume de A fórmula da felicidade no dia 1° de abril, na Kingpin Comics, em Lisboa, Portugal.
Nuno Duarte e Osvaldo Medina são dois artistas portugueses bastante conhecidos e premiados, que começaram no cinema de animação e depois passaram a trabalhar com histórias em quadrinhos.
Nuno Duarte é um dos sócios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Nuno-e-Osvaldo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2214" title="Nuno e Osvaldo" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Nuno-e-Osvaldo-300x215.jpg" alt="" width="264" height="189" /></a>Eles lançaram o segundo e último volume de A fórmula da felicidade no dia 1° de abril, na Kingpin Comics, em Lisboa, Portugal.<span id="more-2208"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Nuno Duarte e Osvaldo Medina são dois artistas portugueses bastante conhecidos e premiados, que começaram no cinema de animação e depois passaram a trabalhar com histórias em quadrinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nuno Duarte é um dos sócios da agência Produções Fictícias, atuando como roteirista, diretor e produtor de animações, série de TV e teatro, além de <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC01372.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2217" title="DSC01372" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC01372-300x225.jpg" alt="" width="254" height="191" /></a>coordenar e ministrar workshops sobre roteiro e direção.</p>
<p style="text-align: justify;">Osvaldo Medina, embora tenha nascido em Angola, reside em Portugal desde a infância e trabalha como ilustrador e desenhista de animações e de histórias em quadrinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ambos são muito atenciosos e tiraram um tempinho, durante o corre-corre dos preparativos para o lançamento de A fórmula da felicidade &#8211; vol. 2, para  me conceder essa entrevista.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>1) Nuno, o que levou você a abandonar a advocacia e investir no cinema, na TV e no teatro, abraçando a carreira de roteirista de BDs e animações, dramaturgo e diretor de programas de TV?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Nuno-Duarte.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2215" title="Nuno Duarte" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Nuno-Duarte.jpg" alt="" width="186" height="170" /></a>Se respondesse bem depressa diria: &#8220;A irresponsabilidade em procurar uma vida precária e cheia de sobressaltos&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Um pouco mais a sério, considero que a criatividade sempre fez parte integrante da minha vida. O Direito segue caminhos espartilhados e por vezes desprovidos de qualquer necessidade de pensamento livre.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, o meu gosto pela &#8220;narrativa&#8221; pura e dura, bem como as várias formas de a transportar ao público, foram factores decisivos por enveredar numa carreira para a qual um dia ainda espero demonstrar algum talento.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>2) Devido ao seu histórico com o cinema de animação, A fórmula da felicidade foi inicialmente pensado para película, mas acabou </strong><strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/FormulaV2_07Copy.jpg"><img class="alignright size-medium  wp-image-2223" title="FormulaV2_07Copy" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/FormulaV2_07Copy-213x300.jpg" alt="" width="213" height="300" /></a></strong><strong>virando uma BD. Será que num futuro próximo poderemos comprar o DVD, além da BD?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sinceramente é uma incógnita. O cinema de animação em Portugal vive de subsídios estatais, e a maioria das produtoras aposta em formatos curtos e de rápida execução.</p>
<p style="text-align: justify;">Um filme com a envergadura da &#8220;Fórmula&#8221; necessitaria de uma abordagem mais comercial, para além do estilo visual ser tudo menos simples e de rápida execução.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de tudo essa hipótese ainda não foi descartada e temos alguns contactos em marcha.</p>
<p style="text-align: justify;">Se esse DVD algum dia existir eu lhe envio uma cópia&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong><strong>3) O Osvaldo também tem bastante experiência com o cinema de </strong><strong>animação. Fale um pouco sobre essa parceria e como a mesma modificou a sua forma de escrita do roteiro.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Conheci o Osvaldo há uns anos através de um grupo de amigos que trabalhavam em  animação. Pouco tempo depois ele seria um dos animadores na minha série &#8220;O Turno da Noite&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando surgiu a conversa com o Mário Freitas, editor da &#8220;Fórmula da Felicidade&#8221;, acerca do artista ideal para trabalhar no projecto, mencionei o Osvaldo não só pela certeza do seu profissionalismo e capacidade artística, mas também porque conheci o seu<a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/CARTAZ-turno.jpg"><img class="alignleft size-medium  wp-image-2220" title="CARTAZ -turno" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/CARTAZ-turno-213x300.jpg" alt="" width="213" height="300" /></a> desejo em vingar no mundo da BD (HQ para os brasileiros).</p>
<p style="text-align: justify;">Precisamente essa confiança no trabalho artístico do Osvaldo levou-me a abordar este projecto de forma diferente, já que bolei roteiros bem abertos com descrição de pranchas no início, o que lhe permitiu fazer brilhar o seu jeito cinematográfico de apresentar os planos e as composições de prancha. Trabalhando nesses esboços, chegámos depois de uns acertos às composições finais, trabalhando então os textos e diálogos num estilo por vezes convencionado de &#8220;Marvel style&#8221;.</p>
<p>Foi uma maneira diferente de trabalhar já que costumo partir com um roteiro completamente finalizado, mas sem dúvida terá sido o mais acertado para o projecto e para a potenciação das habilidades do Osvaldo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>4) Osvaldo, você participou de projetos bem distintos em BDs (A tua carne é má, A fórmula da felicidade e Mucha), fez tiras e também <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Osvaldo.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2224" title="Osvaldo" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Osvaldo-187x300.jpg" alt="" width="164" height="264" /></a>animações. Hoje o artista precisa ser versátil ou deve se aprimorar num estilo e numa técnica apenas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Já Darwin dizia «a sobrevivência dos mais fortes» ou por outras palavras, a sobrevivência dos mais adaptados. A minha opinião é esta, quantos mais géneros de «arte»dominar, quanto maior for o número de ferramentas que se controla , maior será a quantidade de trabalho a chegar ás nossas mãos. A base do meu trabalho é mesmo a animação, é o que faço todos os dias basicamente, sendo a BD e as tiras trabalho de amor, algo que faço por prazer sem estar á espera de retribuição.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>5) Como foi a experiência de desenhar animais antropomórficos em <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/atcem001.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2225" title="atcem001" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/atcem001-210x300.jpg" alt="" width="196" height="279" /></a>A fórmula da felicidade, Osvaldo? Bateu um medo inicial ou você encarou o desafio logo que foi chamado para o projeto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na realidade, quando me disseram que a BD seria com animais em vez de pessoas, tiraram-me um peso dos ombros! Sempre desenhei animais desde criança ( desde que me lembro de desenhar, era isso que desenhava!), é algo que domino com todo o à vontade.  Ainda mais engraçado, quando era miúdo desenhava as pessoas com cabeça de cão, logo esta BD foi um revisitar da minha infância !</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>6) O primeiro volume de A fórmula da felicidade foi muito bem acolhido em Portugal, com lançamento na Kingpin Comics, em janeiro de 2009, e ao longo do ano participou de prestigiados festivais, como Amadora e Beja. Foi selecionado também para os três principais prêmios do Festival de Amadora: Melhor Álbum, Melhor Argumento e Melhor Desenho. Quais as expectativas para o segundo e último volume, que foi lançado dia 1° de abril?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nuno: </strong>As expectativas são as melhores possíveis, dada a atenção e as palavras elogiosas <strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/lista-bot.png"><img class="alignright size-medium wp-image-2228" title="lista-bot" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/lista-bot-300x165.png" alt="" width="300" height="165" /></a></strong>que a crítica e o público nos dirigiram em relação ao primeiro volume. No entanto, a BD em Portugal é apenas um pequeno nicho, e como tal vive de amizades, grupos e facções, pelo que não espero nada em relação a galardões ou prémios, normalmente atribuídos a nomes mais estabelecidos no meio.</p>
<p style="text-align: justify;">Sinceramente preocupo-me mais com a qualidade da história e do livro que editamos do que com esses factores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Osvaldo:</strong> As expectativas são  simplesmente que seja tão bem recebido como o primeiro. Espero acima de tudo que as pessoas gostem do nosso trabalho, tudo o que vier a  mais será muito bem recebido!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>7) Pra vocês, qual é a equação que desemboca na fórmula da <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Osvaldo-Medina-20º-Amadora-BD.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2232" title="Osvaldo Medina - 20º Amadora BD" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Osvaldo-Medina-20º-Amadora-BD-300x292.jpg" alt="" width="183" height="177" /></a>felicidade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nuno:</strong> Em primeiro lugar, desconfio muito de fórmulas ou equações. A acreditar em algo, isso será sem dúvida que a felicidade, seja ela qual for, só surgirá se formos fiéis a nós próprios.<br />
Claro que umas HQ&#8217;s e umas cervejinhas bem geladas também ajudam&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Osvaldo:</strong> Infelizmente isso não existe, mas se somarmos saúde, amigos e bem estar geral , chegamos lá perto!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevistas realizadas por e-mail nos dias 27 de março e 3 de abril de 2010.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Para conhecer mais sobre os autores, basta ir ao site oficial de <a href="http://aformuladafelicidade.net/">A fórmula da felicidade</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para assistir à animação O Turno da Noite, clique <a href="http://serieturnodanoite.blogspot.com/">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/especial-entrevista-com-nuno-duarte-e-osvaldo-medina/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>[Especial] Artistas Portugueses: João Amaral</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-joao-amaral/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-joao-amaral/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 12:34:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[desenhistas portugueses]]></category>
		<category><![CDATA[João Amaral]]></category>
		<category><![CDATA[Quid Novi in Imperium?]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/?p=2130</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com o desenhista de BD e ilustrador português João Amaral.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/JoãoAmaral1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2131" title="JoãoAmaral1" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/JoãoAmaral1-107x300.jpg" alt="" width="79" height="222" /></a>João Amaral é desenhista e ilustrador, tendo dividido suas criações entre a publicidade e a banda desenhada (como os portugueses se referem aos quadrinhos), mas atualmente dedica-se apenas à última.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentre seus trabalhos, estão livros ilustrados e BD, como  A Voz dos Deuses, O Menino Jesus fez-se  Homem, História de Manteigas, Bernardo Santareno &#8211; Fragmentos de uma vida breve,  A Espada Desaparecida e História  de Fornos de Algodres.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente, voltou ao projeto <strong>Quid Novi in Imperium?</strong>, colorindo páginas em preto-e-branco e escrevendo e desenhando histórias curtas (colorindo-as diretamente no computador).</p>
<p style="text-align: justify;">João Amaral é deveras simpático e usa a internet e as redes sociais, como o Facebook e o seu <a href="http://joaocamaral.blogspot.com/">blog</a>, para divulgar a sua arte.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheçam um pouco mais sobre esse artista português na entrevista abaixo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1) João, você tem predileção por trabalhos que envolvem História e <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/finis08.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2133" title="finis08" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/finis08-213x300.jpg" alt="" width="213" height="300" /></a>Religião. Qual é o seu método de preparação para escrever e desenhar BDs que necessitam de muita pesquisa para embasar a trama?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não tenho um método de preparação específico, no sentido em que a época do império romano sempre me apaixonou. Como tal, leio muito sobre o assunto e tenho, ao longo da vida, adquirido algumas obras que me ajudam a expressar não só os conteúdos, como até mesmo soluções gráficas. Mas reportando-me concretamente a<strong> Quid Novi&#8230;</strong> o que mais me motivou foi o aspecto de poder versar uma época obscura. Existem muitas bd&#8217;s e filmes sobre o império romano, é verdade. Mas a maior parte deles versa mais a época que vai dos imperadores Júlio César a Marco Aurélio. Sobre esta fase, que é posterior, há muito pouca coisa. E, é uma época riquíssima, pelo menos para mim, já que estamos a assistir a um império que está em desagregação. Basta dizer-se que nestes anos já nem a figura do imperador é respeitada. O dinheiro, a luta pelo poder e a corrupção comandam tudo, podendo até o imperador ser assassinado se não respeita certos interesses. Nesse sentido, é uma época que podemos explorar, quer sob o ponto de vista histórico, quer no sentido de expressar algumas ideias <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/DI6e7.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2134" title="DI6e7" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/DI6e7-300x213.jpg" alt="" width="332" height="235" /></a>plenas de actualidade. Também é verdade que gosto de conferir às minhas histórias um carácter algo místico. A minha ideia foi a de dizer que tudo naquele império estava a mudar. Até os deuses do Olimpo já não tinham o seu lugar seguro, num império que está a ser invadido por uma multiplicidade de deuses pagãos (que são no fundo o produto da multiplicidade de culturas e pensamentos que esse império já abarca dentro das suas fronteiras). Basta dizer que até os próprios imperadores já nem sempre eram oriundos de Roma, mas sim de outras províncias. E esta também é uma época em que o cristianismo, depois dos primeiros anos de perseguição, se começa a impor. No meio de tudo isto está um herói anónimo, que na realidade não é mais do que um anti-herói. É tão simplesmente um homem comum (por isso fiz questão de não lhe dar nome) que muitas vezes é ultrapassado pelas situações que o rodeiam e que acabam por ter uma influência directa na sua vida. Não é isso que acontece com todos nós?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>2) Outra característica sua é o zelo ao desenhar paisagens. Há belíssimas cenas, em plano geral e em plano conjunto, nas quais você capricha na luminosidade e em pequenos detalhes de fauna e flora. Quais são suas referências tanto nas artes plásticas quanto na arte sequencial?</strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/DI3.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2140" title="DI3" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/DI3-210x300.jpg" alt="" width="210" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ora aí está uma pergunta de difícil resposta. Nas artes plásticas, tenho uma admiração confessa pelos pintores impressionistas desde Monet a Renoir, passando por Degas ou Manet, para referir alguns exemplos. Mas é na BD, que leio avidamente desde miúdo, e no cinema que colho as minhas maiores influências. Tenho uma admiração profunda pela bd franco-belga, nomeadamente por autores como Auclair, William Vance, Hermann, Gir (ou Moebius) ou Rosinski. Também os italianos Manara, Hugo Pratt ou Paolo Eleuteri Serpieri, estão entre os que admiro. Já no meu país, respeito muito o trabalho dos mestres José Ruy, José Garcês, José Pires, Augusto Trigo, E.T. Coelho, Eugénio Silva ou Victor Péon, e com alguns deles, tenho aprendido muito. Mas também há uma nova geração de novos desenhadores que muito admiro, como o Rui Lacas, o Ricardo Cabral, o João Mascarenhas ou o Jorge Miguel, que em estilos <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/game1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2144" title="game1" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/game1-210x300.jpg" alt="" width="210" height="300" /></a>diferentes estão a conferir uma grande versatilidade à bd portuguesa. Mas também gosto da arte de autores que trabalham para o mercado norte-americano (que conheço menos), como Jim Lee, Marc Silvestri ou Alex Ross. E estou a descobrir agora uma nova vaga de autores (entre eles alguns brasileiros) que estão a conseguir fazer aí um magnífico trabalho. E também na blogosfera estou a reparar em trabalhos muito interessantes. Por exemplo, já me tornei seguidor dos blogues de Carolina Pontes e do Eric Ricardo, de cuja arte fiquei fã. Por isso, é natural que vá colhendo influências daqui e dali. Algumas serão óbvias, outras, provavelemente mais disfarçadas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>3) A pintura digital em seus trabalhos veio como uma experiência ou necessidade do mercado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Essa é uma pergunta curiosa. A pintura digital apareceu na minha vida, num momento em que trabalhava para publicidade. A agência que me empregava ofereceu-me um curso de design gráfico em computador. E foi aí que me apercebi, pela primeira vez, que o computador era uma ferramenta excepcional <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/img10.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2141" title="img10" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/img10-300x170.jpg" alt="" width="300" height="170" /></a>para a pintura. De lá para cá, tenho vindo a aprender muito com a prática e considero que hoje, dez anos volvidos, ainda estou a aprender nesta ferramenta fantástica. Por isso, começou por ser uma necessidade (sobretudo para a publicidade) mas é algo que venho a aprofundar cada e cada vez mais como experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>4) Na Seleções BD foram publicadas algumas histórias curtas da série inacabada Quid Novi in Imperium?, que se passa no final do Baixo Império Romano e tem um heroi anônimo como protagonista. Em seu blog, você postou várias páginas de histórias antigas, em preto-e-branco, bem como de histórias mais recentes, coloridas. Como você continua a produzir a história, será que não existe mesmo nenhuma <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/DI5.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2147" title="DI5" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/DI5-210x300.jpg" alt="" width="210" height="300" /></a>editora interessada em publicar um material tão bonito?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pois, o <strong>Quid Novi&#8230;</strong> é um caso curioso. Comecei, de facto a série nas Selecções BD, graças ao apoio de alguém que muito admiro, quer como editor, quer como argumentista, que é o Jorge Magalhães. Ele incentivou-me a elaborar a série. Entretanto, interrompi-a brevemente para fazer aquilo a que agora se designa um &#8220;<em>one shot</em>&#8220;, que era uma história única de 46 páginas chamada <strong>O Fim Da Linha </strong>(a menina loura que está na lateral do meu blogue, faz parte dessa história) e que era uma espécie de remake de <strong>High Noon</strong>, que em Portugal se chamou <strong>O Comboio Apitou Três Vezes</strong>), cuja acção era passada numa aldeia portuguesa na viragem do milénio (de 2000 para 2001). Quando publiquei esta história, voltei então aos episódios de <strong>Quid Novi</strong> e fiz dois que acabaram por nunca sair, porque entretanto a revista acabou. Mais tarde, tentei recuperar alguns elementos do que já tinha feito e construir um projecto para um albúm de 46 páginas (das quais fiz as onze que apresentei no blogue. Tentei publicá-la em França, porque o panorama editorial em Portugal estava muito mau, mas não tive sucesso. Consequentemente, voltou tudo para a gaveta ( e desenvolvi outros trabalhos, como os dois albúns dedicados à história de dois concelhos <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/JoãoAmaral2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2148" title="JoãoAmaral2" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/JoãoAmaral2-225x300.jpg" alt="" width="213" height="284" /></a>portugueses e o do Bernardo Santareno) e só as retirei quando, há cerca de quatro meses, me iniciei nesta nova aventura dos blogues. Como tenho tido algumas reacções francamente positivas, entusiasmei-me e estou a preparar mais um episódio curto que irei publicar em breve no blogue.</p>
<p style="text-align: justify;">Em relação ao panorama editorial, em Portugal nunca foi fácil publicar, em parte porque o mercado é muito pequeno e muito absorvido com muito bom material que vem do estrangeiro. Ainda assim, não sou daqueles que mais se queixam, pois já consegui publicar algumas obras. Todavia, parece agora começar a haver uma pequena luz no fundo do túnel e há alguns sinais, ainda que ténues, que parecem indicar que poderá haver algumas mudanças. Vamos ver o que é que o futuro reserva&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>5) Recentemente você participou da segunda edição do Ecozine Celacanto, dedicada ao lobo ibérico. O que o levou a fazer parte desse projeto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esse foi um projecto muito engraçado, porque <strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/lobo01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2149" title="lobo01" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/lobo01-212x300.jpg" alt="" width="195" height="276" /></a></strong>tomei conhecimento dele via <strong>Facebook</strong>. O <strong>Celacanto</strong> já tinha editado um número dedicado ao albatroz, o animal que dá nome à editora. Neste livro, dedicado ao lobo, a <strong>Qual Albatroz</strong> decidiu colocar um anúncio aberto a todos os potenciais interessados (em artes que iam desde a bd à fotografia, da escita à pintura) que quisessem voluntariamente participar com o seu trabalho numa iniciativa que visa ajudar a angariar fundos para evitar a extinção de um dos animais que é quase um símbolo da Península Ibérica. A iniciativa teve tanto êxito que reuniu participações não só de Portugal, como também aí do Brasil, da Escócia ou da Polónia, para referir alguns exemplos. É esse o poder da Net e das redes sociais. Já para mim, em concreto, foi uma experiência gratificante que, para além de funcionar como um pequeno contributo a uma causa mais que meritória ( e ainda por cima, eu que adoro desenhar lobos), foi uma oportunidade de conhecer novos mundos e novas pessoas. Por isso, e como sei que irá haver mais Celacantos, no que depender de mim, sei que poderão contar comigo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevista realizada por e-mail no dia 29 de março de 2010.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/especial-artistas-portugueses-joao-amaral/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista: Márcio Rampi</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/entrevista-marcio-rampi/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/entrevista-marcio-rampi/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 15:44:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Diz que duvida!]]></category>
		<category><![CDATA[Márcio Rampi]]></category>
		<category><![CDATA[PanDaMO]]></category>
		<category><![CDATA[quadrinho gaúcho]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/?p=1478</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com o ilustrador e quadrinista gaúcho Márcio Rampi.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/DSC01061-copy.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1480" title="DSC01061 copy" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/DSC01061-copy-210x300.jpg" alt="" width="160" height="228" /></a>Márcio Rampi é um ilustrador gaúcho que investiu no  sonho de se tornar quadrinista. No final de 2009, lançou sua primeira HQ, Diz que duvida!, de forma independente, através do selo <a href="http://pandamocomics.blogspot.com/">PanDaMO Comics</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para vocês conhecerem um pouco mais sobre o seu projeto HQ e como ele levou o sonho adiante, leiam a entrevista abaixo.</p>
<p style="text-align: justify;">E como brinde aos leitores do Portal GHQ, o Márcio Rampi está inaugurando a nossa seção &#8220;Wallpaper&#8221; com três papeis de parede exclusivos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>1) Diz que duvida! é o primeiro quadrinho seu a ser publicado, no qual você assina o roteiro, desenha e arte-finaliza. De onde veio a ideia para essa história de mistério tragi-cômica?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei se posso dizer que Diz que duvida! nasceu primeiro de uma ideia. Acredito que Diz que duvida! tenha vindo primeiro de uma necessidade – uma necessidade de fazer uma HQ que tivesse a minha cara, meu jeito de fazer HQ. Acredito que isso seja bastante comum para todo artista que está iniciando um processo de colocar para fora suas próprias histórias, e por isso faço questão de dizer como foi comigo. Lembro que, sempre que fazia HQs, meu traço pendia para os comics dos EUA (uma influência bastante natural e bem legal, saliento), mas acho que não me sentia plenamente satisfeito. Some-se isso aos muitos projetos inacabados na gaveta e o resultado era nenhuma HQ digna de ver a luz do mundo!</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, recordo também que &#8211; devo admitir hoje &#8211; eu era praticamente um caso perdido para as HQs, porque estava naquele limbo, sem uma HQ que pudesse chamar de minha ou um projeto sólido para tocar, mas no fundo permanecia aquela vontade de fazer HQs, e sabia que no fundo o que faz um artista ser um quadrinista é essa vontade de contar histórias em quadrinhos, não de outra forma, e esta vontade eu tinha. Aí, o mundo deu uma volta, minha namorada foi passar um tempo estudando nos EUA e levou um portfólio com desenhos meus para o mercado de lá, na cara e na coragem, um material que produzi em menos de dois meses. Foi isso que me despertou a capacidade de produzir. Faltava o traço que fosse meu, e isso eu descobri nos desenhos que faço nos cadernos de aula. Um dia estava fazendo um desenho com uma caneta esferográfica, olhei para ele e disse: “É isso!”. Daí para Diz que duvida! foi um pulo.</p>
<p style="text-align: justify;">A história (agora falando da ideia) veio das muitas lendas sobre fantasmas aqui no<a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/DIZ-QUE-DUVIDA_capa.png"><img class="alignright size-medium wp-image-1481" title="DIZ QUE DUVIDA!_capa" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/DIZ-QUE-DUVIDA_capa-204x300.png" alt="" width="204" height="300" /></a> sul, as lendas sobre casas mal assombradas. Eu estava escrevendo para um projeto ainda inédito e o tema era esse – fantasmas – e resolvi que levaria isso para minha HQ. Criei DQD! a partir do gordo Gomos, o personagem que faz a bobagem que vai desencadear a trama. Queria contar uma história de como nascem as lendas através da lenda do fantasma de uma casa mal assombrada pela ótica de um grupo de crianças que jogam a bola na frente desta tal casa. Fazer com que isso virasse algo tragi-cômico não foi muito difícil, imagino sempre que não haveria maneira melhor de contar a história de DQD! do que esta. E foi assim que foi: rápida, rasteira e direta. Queria também trabalhar a dualidade bem versus mal, isso de toda a história se definir pela vitória de um dos lados. Acabei não falando sobre as exceções, mas isso vai acontecer logo mais pra frente.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>2) A sua experiência como ilustrador publicitário e designer lhe ajudou a desenvolver um estilo, um traço próprio, que você acabou trazendo para os quadrinhos ou são trabalhos totalmente distintos? E para desenhar, vale o lápis e a borracha na mão ou você prefere usar a mesa digital?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ah, com certeza que tudo acaba se misturando. É bem complicado determinar onde está a HQ, o seu desenho, e onde está o que vem do design e da ilustração para publicidade, que varia muito de um trabalho para outro (o que é bem legal, porque obriga a gente a sair de um lugar para o outro e estar aprendendo sempre). Mas penso que, se tenho que falar sobre um estilo próprio, acredito que ele seja muito mais um estilo que mistura desenho tradicional com influência do traço estilizado das HQs, mais a experiência com design e ilustração publicitária, do que qualquer outra coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha base artística, na verdade, é bem tradicional: desenho acadêmico, mesmo. Só que tenho, desde muito pequeno, esta relação com as HQs, que foi o que me fez chegar a um resultado hoje, em ilustração, que posso chamar de um traço meu. E nesse bolo todo, admito, a coisa pode acabar mesmo se confundindo. Isso acaba aparecendo no uso dos materiais, por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Desenhando-na-mesa.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1482" title="Desenhando na mesa" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Desenhando-na-mesa-239x300.png" alt="" width="200" height="251" /></a>Sou bem focado, nesse sentido, e parto para o desenho sempre no lápis, depois que começo a utilizar os outros elementos. Adoro bico de pena, nanquim, mas acabo utilizando de tudo um pouco, às vezes até uma caneta esferográfica vagabunda acaba proporcionando um traço único, e é nessas horas que hoje o computador ajuda, no tratamento, acabamento, e é aqui onde a confusão toda fica maior e mais interessante!</p>
<p style="text-align: justify;">Eu vejo a integração na arte hoje, assim como em outros processos, como algo inevitável e que engrandece o processo: você tem uma gama de possibilidades muito grande, muitas maneiras de fazer uma mesma coisa e muita referência disponível. E que bom que é assim! Penso que só temos a ganhar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>3) A oportunidade de uma parceria com o amigo colorista, Márcio Raupp, vinha sendo pensada há muito tempo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, a parceria com o Nenê (como eu chamo o Márcio Raupp, meu xará no nome e quase no sobrenome) é uma parceria que vem dos anos 90, mas que não tinha a ver necessariamente com HQ. Quadrinhos para a gente era uma diversão comum, a galera colecionava revistas, e eu fazia os meus desenhos e as minhas histórias, mas não imaginava que fosse um dia trabalhar com ele. Mas daí os anos passaram, e o Nenê começou a trabalhar com isso, e um dia ele roubou um desenho meu e coloriu! Daí quando eu vi o resultado disse: “Vou fazer um desenho legal para tu colorir!” (porque aquele era um desenho menos “sério”, na realidade). E nisso se passaram muitos anos, até que um dia mandei um desenho sério pro Nenê e ele coloriu de um jeito que me agrada por demais em tudo na vida: de um jeito que agrega.</p>
<p style="text-align: justify;">Explico: o Nenê não é um cara que vai lá e colore, ele agrega. Se esmera nos detalhes, opina, pede opinião, permite opinião, trabalha pelo resultado, e eu também sou muito assim, então decidi que, se fizesse um trabalho sério em HQ, a cor seria com ele. Não precisei convidar o Nenê duas vezes para DQD! Ele já tinha umas páginas minhas em que estava fazendo um laboratório, e quando foi para fazer algo “sério” a estrada já estava pavimentada. DQD! ainda teve pequenas fugas na cor, no padrão, mas o Nenê já está terminando um novo projeto desenhado por mim (no qual também escrevo) em que as cores vão estar dentro do que temos como ideia de um padrão estético da coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>4) O selo PanDaMo Comics pode vir a ser utilizado por outros artistas</strong><strong> </strong><strong>brasileiros, chegando futuramente a criar um coletivo, como o Quarto Mundo?</strong><strong><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Topo_Blog_PanDaMo.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1483" title="Topo_Blog_PanDaMo" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Topo_Blog_PanDaMo-300x45.jpg" alt="" width="280" height="71" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com certeza que sim, que o selo que criamos aqui pode ser utilizado por outros artistas para a divulgação de seus trabalhos e como forma de intercâmbio, para que nós do PanDaMo possamos conhecer outros artistas, projetos, e eles os nossos. Quanto a virar um coletivo como o Quarto Mundo? Isso ainda não sei. Projetos assim carecem de mais tempo, nosso selo ainda é novo, mas pode se tornar com o tempo um canal importante para a divulgação de muita gente, e se for isso para nós já terá valido muito. Temos consciência de que nosso trabalho serve para nós e também para os outros, e que um espaço conquistado pela gente também é um espaço de alguém que venha no nosso rastro. Sabe-se lá que contribuição possa dar para a arte e para as HQs um alguém que, ainda nem sabe, mas um dia vai entrar em contato com nosso selo, divulgar um desenho simples e mudar todo o rumo?</p>
<p style="text-align: justify;">Se nosso selo for uma porta – inclusive também para além de nós – terá cumprido um ótimo papel! O tempo vai dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>5) O Rio Grande do Sul tem uma forte tradição de desenhistas e cartunistas, com nomes expressivos como Renato Canini, Edgar Vasques, Santiago, Iotti, Rafael Grampá e Rafael Albuquerque. Essa tradição de bons artistas intimida ou, pelo contrário, serve de estímulo para mostrar que a gurizada que está começando agora também merece o seu quinhão?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/mesa-de-trabalho.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1484" title="mesa de trabalho" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/mesa-de-trabalho-300x225.jpg" alt="" width="234" height="175" /></a>Acredito que essa tradição de bons artistas aqui do sul não intimida, não. Acredito que isso é um estímulo para qualquer um que está começando, ver que estes artistas que são daqui e que tem grandes trabalhos acontecendo, faz com que nós, que estamos chegando agora, possamos acreditar no potencial que temos e nos colocar atrás do nosso espaço.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu, particularmente, fico bastante feliz quando vejo trabalhos legais como o do pessoal citado tendo visibilidade, o pessoal podendo expressar suas ideias, seus jeitos peculiares de ver o mundo através das HQs, inclusive até em nível internacional. Acho que todo mundo que está começando acaba sendo influenciado e “turbinado” pelo reconhecimento do trabalho destes caras que são aqui do Sul. A possibilidade de fazer parte disso tudo e ajudar a escrever capítulos nessa estrada só tornam o desafio ainda mais tentador, e esse horizonte e esse respaldo histórico só fazem mesmo ver que as noites em cima de uma folha de papel em branco ou atrás de um ideia valem mesmo muito a pena!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevista realizada por e-mail no dia 15 de janeiro de 2010.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/entrevista-marcio-rampi/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Leo Ortiz, Alex D´Ates e Gio Vieira (Projeto Kaplan)</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/leo-ortiz-alex-d%c2%b4ates-e-gio-vieira-projeto-kaplan/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/leo-ortiz-alex-d%c2%b4ates-e-gio-vieira-projeto-kaplan/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 10:57:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Alex D´Ates e Gio Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Iphone]]></category>
		<category><![CDATA[Leo Ortiz]]></category>
		<category><![CDATA[Projeto Kaplan]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/?p=713</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com os integrantes do Projeto Kaplan: Leo Ortiz, Alex D´Ates e Gio Vieira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-715" title="OLegadoNoItunes" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/OLegadoNoItunes-300x220.jpg" alt="OLegadoNoItunes" width="300" height="220" />1) Quando foi que vocês tiveram a ideia de montar o Projeto Kaplan e por que disponibilizar as HQs via Iphone?</strong></p>
<p><strong>Leo Ortiz: </strong>Kaplan surgiu no final da década de 90, quando éramos apenas estudantes colegiais, fãs de quadrinhos, RPG, Cardgames e ficção científica e cheios de idéias na cabeça.  Como parecia difícil tentar colocar as idéias no papel sozinhos, resolvemos unir forças e o Universo caiu em nosso colo (ou em nossos lápis) e começou a criar forma.</p>
<p><strong>Alex D&#8217;ates:</strong> Anos mais tarde, com a proposta, histórias e personagens mais maduros, bem como os próprios integrantes do Projeto, buscamos as maneiras tradicionais de trazê-lo para a realidade: editoras, leis de incentivo&#8230; e fomos negados em alguns casos. E as propostas que recebemos de outros, como  editoras e profissionais da área não eram interessantes.</p>
<p><strong>Gio Vieira:</strong> A partir de meados de 2005, mudamos o conceito e começamos a desenvolver a ideia do Projeto para web, criando um site, onde as histórias seriam disponibilizadas. Com a chegada do IPhone e da Applestore, nós modificamos essa direção, considerando as vantagens estruturais que a Apple nos oferece.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-724" title="da esq pra dir Gio Vieira Leo Ortiz e Alex D'ates" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/da-esq-pra-dir-Gio-Vieira-Leo-Ortiz-e-Alex-Dates-300x104.jpg" alt="da esq pra dir Gio Vieira Leo Ortiz e Alex D'ates" width="343" height="118" /><br />
<strong>2) Quais foram as referências que vocês utilizaram para conceber o universo de fantasia da Lua Kaplan e de todos os povos que a habitam?</strong></p>
<p><strong>Leo Ortiz:</strong> A referência depende muito da época que foi criada cada história, ou mesmo do momento histórico retratado do Universo. É um grande mix de influências, desde Asimov e Star Wars, a Tolkien. O que varia dependo da época e raça retratada, ou mesmo, de qual dos integrantes que partia a ideia.<br />
<strong><br />
Alex D&#8217;ates: </strong>Bem, nós somos jogadores de RPG, Cardgames e afins desde sempre. As referências de Kaplan são muitas, já que este universo não é apenas Fantasia. Ele mistura muita ficção científica e outros gêneros.<img class="alignright size-full wp-image-716" title="Robert E. Howard" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Robert-E.-Howard.jpg" alt="Robert E. Howard" width="174" height="259" /></p>
<p><strong>Leo Ortiz:</strong> No início, durante a concepção da gênese de Kaplan, as primeiras histórias tinham uma influência muito grande de Robert E. Howard, autor que eu tive o costume de devorar desde cedo, tanto na literatura quanto nos quadrinhos. Com o passar do tempo, com a liberdade de possuirmos uma lua inteira (e além&#8230;) para explorar, as influências do RPG, D&amp;D, X-Files, Asimov entre tantos, foram norteando nossas criações.</p>
<p><strong>Alex D&#8217;ates:</strong> Podemos dizer que pegamos O Senhor dos Anéis, Conan, Dungeons &amp; Dragons, Magic, Star Trek, Star Wars, X-Files, Isaac Asimov, Huxley, entre outros, e misturamos tudo. Daí surgiu Kaplan.</p>
<p><strong>3) Como está sendo a receptividade que o Projeto Kaplan está recebendo, haja vista ainda ser algo novo, em vias de completar três meses de existência?</strong></p>
<p><strong>Alex D&#8217;ates</strong>: Como você mesma disse, é algo novo. Ainda estamos na luta pela divulgação do Projeto Kaplan. Já conquistamos algum espaço interessante, nacionalmente falando, como divulgação no Omelete, Universo HQ, no próprio GHQ, e até, com apenas um mês de existência, fomos chamados às pressas pelo Afonso Andrade para uma participação no FIQ-BH, em um debate-relâmpago. O que não podemos esquecer é que o Projeto Kaplan são 3 pessoas que, da parte criativa até a programação (do site e do próprio <img class="alignleft size-medium wp-image-717" title="AAldeiacapa" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/AAldeiacapa-300x200.jpg" alt="AAldeiacapa" width="278" height="186" />aplicativo para Iphone), fazem tudo. Agora com ele acontecendo, temos que manter a continuidade, que sempre foi o nosso foco, e agregar público, parceiros de divulgação e comerciais.<br />
Já na divulgação internacional, o Projeto acontece com um mês de diferença em relação ao Brasil. Desta forma, estamos com pouco espaço lá fora, até porque a concorrência é acirrada. Novamente, com muita persistência e continuidade, vamos conseguir agregar público e espaço.</p>
<p><strong>4) Com que regularidade vocês postarão aventuras inéditas? Será mesmo uma por mês ou esse prazo poderá sofrer alguma alteração?</strong></p>
<p><strong>Alex D&#8217;ates</strong>: O Projeto Kaplan consiste de uma série de aventuras inéditas mensais, de vários personagens que habitam esta Lua. E o nosso maior objetivo, é criar e conseguir uma regularidade com o público, já que a falta de regularidade é o grande problema dos trabalhos autorais nacionais. Mirando isso, nós 3 ficamos cerca de 2 anos trabalhando antes do lançamento de nossa primeira história (O Legado). Atualmente, por exemplo, já estou trabalhando na hq de Fevereiro. Ou seja, embora autorais e independentes, nós conseguimos criar uma janela que permite a regularidade mensal que queremos.</p>
<p>Além disso, estamos preparando alguns conteúdos extras, que agregarão junto as hqs, explorando mais ainda esse fantástico universo para o leitor. Aguardem.</p>
<p><strong>Gio Vieira:</strong> O detalhe aqui  é que contamos também com a estrutura da Apple para que a história possa ser publicada. O que pode acabar interferindo na nossa data de lançamento, caso haja algum imprevisto por parte deles.<strong><img class="alignright size-medium wp-image-718" title="CacadaNoturna" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/CacadaNoturna-300x200.jpg" alt="CacadaNoturna" width="280" height="187" /></strong></p>
<p><strong>5) O Projeto Kaplan está aberto a aceitar contribuições de outros roteiristas e desenhistas nacionias?</strong></p>
<p><strong>Gio Vieira:</strong> Atualmente, não, porque temos muito material a ser lançado e isso já ocupa toda a nossa produção. Do ponto de vista prático, não teríamos como atender mais demadas além da nossa.</p>
<p><strong>Alex D&#8217;ates</strong>: Mas, espero que precisemos disto o mais rápido possível. Creio que pelo menos até o fim de nossa 1a Temporada (Agosto de 2010) nossa equipe não vai aumentar. Eu conto que alcancemos muito sucesso, a ponto dos trabalhos crescerem, se multiplicarem, o que é bom para a gente e todo mundo (mercado, leitores, profissionais) e a contratação de profissionais acabe acontecendo. Agora, tudo a seu tempo. Vamos apoiar o Projeto Kaplan, divulgá-lo, e ficar de olho, que essa via de publicação através do Iphone é muito interessante. Contamos com vocês. Acessem o nosso site e fiquem por dentro das novidades: <a href="http://www.projetokaplan.com.br/" target="_blank">www.projetokaplan.com.br </a></p>
<p>Quem quiser conhecer um pouco mais sobre as HQs do Projeto Kaplan, pode assistir a esse video, que é uma chamada para a segunda HQ, A Aldeia.</p>
<div id="aptureLink_sF0vLQR3oi" style="margin: 0pt auto; padding: 0px 6px; text-align: center; display: block;"><object id="apture_embedPlayer1" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="456" height="285" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="bgcolor" value="#ffffff" /><param name="quality" value="high" /><param name="allowScriptAccess" value="never" /><param name="flashvars" value="start=0" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/KTpeWvylvLs&amp;rel=0&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3" /><param name="name" value="apture_embedPlayer1" /><embed id="apture_embedPlayer1" type="application/x-shockwave-flash" width="456" height="285" src="http://www.youtube.com/v/KTpeWvylvLs&amp;rel=0&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3" name="apture_embedPlayer1" flashvars="start=0" allowscriptaccess="never" quality="high" bgcolor="#ffffff"></embed></object></div>
<div style="margin: 0pt auto; padding: 0px 6px; text-align: justify; display: block;"><em>Entrevista realizada por e-mail no dia 28/10/2009.</em></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/leo-ortiz-alex-d%c2%b4ates-e-gio-vieira-projeto-kaplan/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Gabriel Bá e Fábio Moon</title>
		<link>http://www.ghq.com.br/entrevista-com-gabriel-ba-e-fabio-moon/</link>
		<comments>http://www.ghq.com.br/entrevista-com-gabriel-ba-e-fabio-moon/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 17:14:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[10 pãezinhos]]></category>
		<category><![CDATA[O Alienista]]></category>
		<category><![CDATA[Pixu]]></category>
		<category><![CDATA[quadrinhos independentes]]></category>
		<category><![CDATA[Quase Nada]]></category>
		<category><![CDATA[The Umbrella Academy]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ghq.com.br/entrevista-com-gabriel-ba-e-fabio-moon/</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista com Gabriel Bá e Fábio Moon]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-595" title="Fábio Moon e Gabriel Bá" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fábio-Moon-e-Gabriel-Bá-300x225.jpg" alt="Fábio Moon e Gabriel Bá" width="300" height="225" />1) Após vocês terem ganho tantos prêmios importantes e terem conquistado tanto os mercados internacional e nacional, a responsabilidade para os próximos trabalhos aumentou. Vocês já chegaram a recusar algum trabalho ou a engavetar um projeto pessoal por receio de não darem “conta do recado”?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Gabriel: Olha, eu acho que os prêmios são ótimos, mas eles são sempre um reflexo do trabalho e se não tem trabalho, não tem prêmio. Então, a gente fica feliz, mas não é o mais importante. E desde o início da nossa carreira, a gente sempre tentou escolher bem os trabalhos que ia fazer, tanto os nossos autorais, as ideias que a gente gostava, quanto os projetos que propunham pra gente. Então, a gente sempre teve que escolher e sempre teve ofertas que a gente não pode fazer, não tava a fim ou não se achava apto&#8230; (pausa)</p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: A gente teve que recusar projetos porque não dá pra fazer tudo. Tem que saber escolher e a gente continua escolhendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Gabriel: Hum, hum. É mais pelo tempo. E a gente faz isso até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>2) Como se dá o processo de criação e desenvolvimento de uma HQ do Moon e do Bá?<img class="alignright size-medium wp-image-596" title="DSC00517" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/DSC00517-300x225.jpg" alt="DSC00517" width="300" height="225" /></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: Bom, primeiro a gente tem uma ideia, pode ser a ideia de uma imagem ou de uma frase, aí quem teve a ideia fala pro outro. Tem que ser uma ideia que os dois vão gostar, para os dois poderem fazer juntos. E a partir daí a gente desenvolve o roteiro e vê qual o traço é melhor pra desenhar e contar a história de uma forma melhor ou quem tem mais tempo pra fazer o projeto. E aí a gente decide quem vai desenhar. E desenha e pronto (fala sorrindo).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>3) Qual foi o trabalho mais significativo e mais gratificante, até o momento, para cada um?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Gabriel: Ah&#8230; (faz pausa para pensar), eu gosto muito dos gibis que a gente faz com a Becky Cloonan e com o Vasilis, tanto o 5 quanto o Pixu. Eles tem tudo que a gente acha que pode fazer e que a gente quer que tenha nos quadrinhos. A paixão que a gente põe nas histórias&#8230; e conseguir ver isso em outros autores também. Então, a gente vê as histórias deles ali e adora. E da mesma forma isso faz a gente querer fazer um negócio melhor. Então, acho que o 5 e o Pixu, até agora, são os trabalhos mais gratificantes que a gente fez.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-597" title="Fábio Moon e Becky Cloonan" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fábio-Moon-e-Becky-Cloonan-300x225.jpg" alt="Fábio Moon e Becky Cloonan" width="300" height="225" />Fábio: Fazer livro é legal. Quando a gente termina a história, é sempre bom. A gente tem orgulho de todo livro que a gente fez. Desde todos os 10 Pãezinhos, que a gente adora as histórias e acredita nelas, até o Alienista, que foi um convite da editora, mas que a gente abraçou e é o “nosso” Alienista, é um negócio que a gente tem um apego muito pessoal, até os projetos que a gente faz lá fora (nos Estados Unidos), que a gente só trabalha como desenhista, esses também fazem a gente crescer bastante como desenhista, então&#8230; não tem muita coisa de que a gente se arrependa ou que a gente não goste, olhando pra trás.</p>
<p style="text-align: justify;">Gabriel: É, eu acho também que o Umbrella Academy é um gibi que fez muito bem pra mim como desenhista, como contador de história, como profissional. É um projeto espetacular e que eu dei muita sorte de fazer parte dele. Ele faz bem pra minha relação com os quadrinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>4) Vocês estão publicando a série de tirinhas Quase Nada, semanalmente, na Folha de São Paulo. Ter aceitado esse projeto foi meio que uma espécie de desafio?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: Foi um desafio pensar em alguma coisa que a gente achasse que funcionasse nesse formato de tira, mesmo que fosse uma tira um pouco <img class="alignright size-medium wp-image-598" title="Quase Nada" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Quase-Nada-300x178.jpg" alt="Quase Nada" width="300" height="178" />maior. Pensar no que a gente poderia fazer, pensar numa linha de histórias pra colocar no Quase Nada. Esse foi o desafio, né? A gente tem o desafio de criar uma história toda semana, mas a gente cria história todo dia e desenha página todo dia. O desafio maior foi encontrar um negócio que a gente achasse que valesse a pena colocar no formato pra jornal ou pra internet, que é onde a gente publica depois que sai no jornal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5) Analisando tecnicamente o quadrinho nacional, na opinião de vocês, há mais erros do que acertos? O que é que precisa melhorar, tanto no roteiro quanto no desenho?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Gabriel: No quadrinho nacional há um pouco de tudo, então eu acho que só quando tiver mais produção é que o quadrinho vai melhorar. Claro que com mais produção, virão mais erros, mas esses erros vão resultar em mais acertos, que é a evolução natural  do artista que começa trabalhando, aí vai amadurecendo e melhorando e evoluindo. Eu acho que é isso. Falta mais produção, apesar de que tem melhorado muito desde quando a gente começou até hoje, mas dá pra crescer muito mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: Eu concordo com tudo o que ele falou (diz com um sorriso bem largo).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-599" title="PIXU" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/PIXU-206x300.jpg" alt="PIXU" width="133" height="194" />6) Como vocês conheceram a Becky Cloonan e o Vasilis Lolos, parceiros dos projetos 5 e Pixu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Gabriel: A gente encontrou a Becky na Comic Con de San Diego, em 2003. Ela parecia um menininho, tinha o cabelo bem curtinho. A Becky tinha contrato com a editora AiT, mesma editora que publicou o Meu coração não sei por que, no mercado americano, que saiu como Ursula. O Vasilis a gente conheceu em 2004, também em San Diego. E aí a gente ficou amigo. Em 2007, pensamos em fazer um gibi pra levar pra San Diego. Foi assim que surgiu o 5. Já com a Pixu, a gente queria fazer um gibi de terror, algo diferente do que havíamos feito antes.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevista realizada no dia 11/10/2009, durante a sexta edição do FIQ.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ghq.com.br/entrevista-com-gabriel-ba-e-fabio-moon/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
