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	<title>GHQ &#187; Crônicas</title>
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	<description>Garagem Hermetica Quadrinhos</description>
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		<title>Dias melhores virão?</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 22:39:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[crise de criatividade em Hollywood?]]></category>
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		<description><![CDATA[Roteiros originais são raros na Hollywood do século XXI. Criar uma história nova virou algo retrô, démodé, praticamente uma aventura que tem como protagonista o cinema independente. Os grandes estúdios e os produtores preferem apostar em ideias advindas de romances, HQs ou games tarimbados, que já tem um público definido e pré-disposto a ver seus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Roteiros originais são raros na Hollywood do século XXI. Criar uma história nova virou algo retrô, démodé, praticamente uma aventura que tem como protagonista o cinema independente. Os grandes estúdios e os produtores preferem apostar em ideias advindas de romances, HQs ou games tarimbados, que já tem um público definido e pré-disposto a ver seus herois e heroínas ganharem vida dentro da sala escura.</p>
<p style="text-align: justify;">Os filmes lançados em 2009 enfatizam bem essa prática da opção pela adaptação e pelo remake de sucessos do passado. Tanto que metade dos concorrentes ao Oscar 2010 de melhor filme são produções feitas com roteiro adaptado. Não condeno as adaptações em si, até porque uma adaptação bem feita é algo bacana de se ver e também ajuda na venda do livro ou quadrinho. O problema surge quando o cinema independente começa a flertar com argumentos não-inéditos. Podemos citar o exemplo de Preciosa – uma história de esperança (Precious), adaptação do romance “<em>Push</em>” da poeta californiana Sapphire.</p>
<p style="text-align: justify;">Preciosa, o segundo filme dirigido pelo produtor Lee Daniels, que opta por trabalhar com temas polêmicos (A última ceia, O lenhador), custou 10 milhões de dólares. Ajudado pelo Festival de Sundance, e com nomes como Mariah Carey e Lenny Kravitz no elenco, conseguiu que a Lions Gate fizesse a distribuição internacional, contando também com a produção executiva de Oprah Winfrey. Faturou, só nos Estados Unidos, em pouco mais de seis semanas, quarenta milhões de dólares. É o drama do momento, principalmente após Mo´Nique levar o Globo de Ouro e o BAFTA de melhor atriz coadjuvante.</p>
<p style="text-align: justify;">Lee Daniels retrata uma história fictícia, vivida no ano de 1987, mas que é, infelizmente, bastante corriqueira hoje. Meninas que são abusadas sexualmente por seus pais e tem em suas mães verdadeiras inimigas, que as maltratam porque as veem como “as putas que roubaram seus parceiros”, e algumas mães preferem fechar os olhos para não perder, além do marido, o provedor do lar.</p>
<p style="text-align: justify;">Gabourey Sidibe interpreta Claireece “Precious” Jones, a Preciosa do título, jovem negra, pobre e obesa de 16 anos, vítima de incesto e todo tipo de humilhação dentro de casa. Ao descobrir que Precious está grávida de seu segundo filho, a diretora da escola tenta conversar com a adolescente, mas só obtém respostas grosseiras. Tentando ajudar Precious de alguma maneira, uma vez que essa seria expulsa da escola, ela lhe indica uma instituição de ensino alternativa chamada <em>Each One Teach One</em>, praticamente a única forma que Precious tem para continuar os estudos e não perder o cheque do seguro social que sua desumana mãe, Mary Jones (Mo´Nique), obriga-lhe a conseguir.</p>
<p style="text-align: justify;">Precious tem baixa auto-estima e vive sonhando acordada em ser tudo aquilo que a vida até então lhe negou: rica, famosa e com um namorado branco a tiracolo. Ela encontra a oportunidade de se libertar de sua mãe e seguir sua própria vida quando Ms. Blu Rain (Paula Patton), sua professora lésbica (numa referência à opção sexual de Sapphire), lhe incentiva a caminhar sozinha e lhe faz acreditar que ela pode realizar todos os sonhos que tiver.</p>
<p style="text-align: justify;">A atuação de Gabourey Sidibe, que fez seu debut nesse filme, é perfeita e fica fácil a gente torcer por ela, especialmente quando há a entrada em cena de Mo´Nique, incorporando uma megera cruel e amarga, que não tem um pingo de afeição e carinho para com a sua filha, tratando-a aos berros com palavrões e atirando-lhe objetos, desdenhando de sua neta com Síndrome de Dawn, mas que encena para a assistente social cenas de uma família feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Preciosa, temos mais um filme que evoca a dura realidade dos negros menos afortunados na América, fazendo crer que, com perseverança, as injustiças sociais e a discriminação chegarão ao fim e eles encontrarão o seu lugar ao sol. Já vimos isso em À procura da felicidade, com Will Smith, e no outro concorrente ao Oscar desse ano, Um sonho possível, com Quinton Aaron. Pra mim, soa como se os negros precisassem de contos de fadas modernos para aguentarem engolir calados o pão que o diabo amassou, certos de que dias melhores virão. Mas pra isso não é necessário recontar uma história já escrita. Basta abrir a janela, ligar a TV, ler o jornal que enredos não faltarão. Ou, quem sabe, dar um pulinho nas favelas do Rio de Janeiro e enxergá-las não como algo exótico, mas como elas são. Porque o negro só consegue vencer se seguir o conselho de um antigo samba de Alcione:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Negro não humilhe, nem se humilhe a ninguém. Todas as raças já foram escravas também. Deixa de ser rei só na folia, faça da tua Maria uma rainha todos os dias, e cante um samba na universidade e verás que teu filho será príncipe de verdade. Daí, então, jamais tu voltarás ao barracão”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Preciosa está concorrendo a seis Oscar: melhor filme, diretor, atriz e atriz coadjuvante, edição e roteiro adaptado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><em>Texto publicado no site da <a href="http://revistacatorze.com.br/?p=1639">Revista Catorze</a>.</em></p>
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		<title>Como o ponto-de-vista estético lhe entorpece</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 02:20:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[HQs]]></category>
		<category><![CDATA[Christophe Blain]]></category>
		<category><![CDATA[desvalorização do roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[Ian Edginton e D´Israeli]]></category>
		<category><![CDATA[Lorenzo Mattotti e Claudio Piersanti]]></category>
		<category><![CDATA[Mutarelli]]></category>
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		<category><![CDATA[Will Eisner]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/diomedes.gif"><img class="alignleft size-full wp-image-1531" title="diomedes" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/diomedes.gif" alt="" width="173" height="151" /></a>Quando alguém não entende uma piada, de quem é a culpa? De quem a contou de forma canhestra ou do ouvinte desatento? Cada um dará a sua justificativa para apontar a falha do outro. Mas quando alguém vê uma história em quadrinhos e julga a narrativa, preconceituosamente, apenas pelo viés estético agrupado à mesma, quem tem culpa? O criador da história, o desenhista ou o leitor? Essa pergunta há muito tempo instigou os meus neurônios, principalmente quando eu tratava pessoalmente com diversos leitores de quadrinhos, todo dia, na loja física da Garagem Hermética Quadrinhos (GHQ).</p>
<p style="text-align: justify;">A arte sequencial é a união entre texto e imagens, não a supremacia de um sobre <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/KP_pubb01_big.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1532" title="KP_pubb01_big" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/KP_pubb01_big-225x300.jpg" alt="" width="152" height="204" /></a>o outro. Há narrativas somente de caráter visual, mas que precisam ter um roteiro bem amarrado (atrelado a um desenhista habilidoso) para que sejam entendidas sem a necessidade de palavras – como já citei em um <a href="http://www.ghq.com.br/sem-palavras/">texto anterior</a>, a parceria entre Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo. Porém, há uma porção de colecionadores que se prendem de forma tão patética à plasticidade das histórias em quadrinhos que realmente dá pena. Conheço alguns que nunca leram Mutarelli, alegando que o traço dele é horrível, por exemplo. Já outros comparam os quadrinhos ao cinema, afirmando que são imagens antes de qualquer coisa, e que se a imagem não lhes atrair, nem querem saber do “resto”. Ora, pois, um filme esteticamente belo, com produção caprichada e rostinhos bonitos em cena, nunca foi sinônimo de qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/eisner.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1533" title="eisner" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/eisner-230x300.jpg" alt="" width="148" height="189" /></a>A história é o que fica. Sempre. Por mais memória fotográfica que alguém tenha, a imagem está atrelada à narrativa: no momento em que a imagem vem à mente, o enredo é lembrado. O mestre Will Eisner escreveu com muita propriedade sobre isso. Às vezes um argumento bastante simplório, da forma como é narrado e desenhado, transforma-se em algo sublime. Quem leu Cadernos de tipos urbanos ou Nova York (inserido em Nova York – a vida na grande cidade, publicado pela Quadrinhos na Cia.), percebe como Eisner registrou pequenos momentos cotidianos de forma única. Não é só o desenho, é todo o sentimento que o envolve.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro erro que muitos cometem é pensar que se precisa contar uma história <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Estigmas.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1534" title="Estigmas" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Estigmas.jpg" alt="" width="109" height="155" /></a>linear, com começo, meio e fim, para que a mesma seja considerada uma narrativa completa. Podemos ver recortes de determinados momentos da vida de um personagem, sem saber necessariamente o que veio antes e o que virá depois, e essa história ser uma narrativa inteira, como também nos ensinou Eisner. O segredo está na forma como se transmite a história para o leitor.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/isaac_b.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1535" title="isaac_b" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/isaac_b.jpg" alt="" width="119" height="153" /></a>O grande problema do brasileiro é que a questão estética fala mais alto. O belo salta aos olhos, atrai, seduz. E muitos não conseguem ver além disso. São apenas pessoas que veem quadrinhos, mas não os leem. São semi-analfabetos, sim.</p>
<p style="text-align: justify;">Lastimo essa constatação porque sei que esses apreciadores de imagens nunca terão o prazer de ler Estigmas (de Lorenzo Mattotti e Claudio Piersanti), Reino dos Malditos (de Ian Edginton e D´Israeli) ou Isaac, o pirata (de Christophe Blain).</p>
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		<title>Os cronistas das relações humanas</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 03:48:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Crônica sobre Will Eisner e Krzysztof Kieślowski.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Will-Eisner-Dropsie-Avenue-French-2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1356" title="Will Eisner Dropsie Avenue French 2" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Will-Eisner-Dropsie-Avenue-French-2-201x300.jpg" alt="" width="214" height="320" /></a>Atrás de cada janela de um conjunto habitacional escondem-se situações das mais diversas, vivenciadas por tipos humanos singulares ou pateticamente normais, que em alguns momentos se entrecruzam, alterando o cotidiano de ambos. E há alguém que espia esses momentos e os registra em forma de narrativa, seja ela em suporte papel ou em película, tornando-se um exímio cronista das relações humanas. Assim o foram Will Eisner e Krzysztof Kieślowski.</p>
<p style="text-align: justify;">Will Eisner retratou, em forma de histórias em quadrinhos, o dia-a-dia dos habitantes da fictícia Avenida Dropsie, bem como precisou o comportamento, os sons, os cheiros, os sabores, as alegrias e tristezas de uma porção de pessoas que ia e vinha pelas ruas de Nova Iorque, durante mais de três décadas. Já o cineasta Krzysztof Kieślowski, em uma de suas obras-<a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Will-Eisner.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1357" title="Will Eisner" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Will-Eisner-300x238.jpg" alt="" width="217" height="154" /></a>primas, Decálogo, conjunto de dez médias-metragens feitos para a televisão polonesa na década de 1980, narrou trechos das vidas de personagens que moravam num conjunto habitacional polonês, formado por vários condomínios, tomando como base os Dez Mandamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tanto Eisner quanto Kieślowski foram mestres em falar através das pausas e dos silêncios que envolviam cada <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/kieslowski1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1358" title="kieslowski1" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/kieslowski1-221x300.jpg" alt="" width="159" height="217" /></a>um de seus personagens. Ambos evocavam, em suas narrativas, seres humanos despidos do cru determinismo maniqueísta, mostrando que o homem é sempre capaz de ações boas e más, as quais são decorrentes de seus históricos de vida. Os personagens que eles nos apresentaram, passavam por dilemas éticos e morais, eram vítimas de preconceitos e discriminação étnico-religiosa, sendo idealistas e sonhadores ou gananciosos capitalistas, ingênuos ou pilantras, jovens apaixonados ou pessoas amargas, membros de grandes famílias ou solitários inveterados.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa forma de fazer arte a partir da observação direta do cotidiano urbano contemporâneo foi fruto de um olhar<a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Não-Amarás.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1366" title="Não Amarás" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Não-Amarás-300x184.jpg" alt="" width="260" height="159" /></a> direcionado aos documentários e uma vivência como diretor de teatro, em se tratando de Kieślowski, e da experiência com os dissabores de diversas guerras – II Guerra Mundial, Guerra da Coreia, Guerra do Vietnã –, e lembranças amargas e poéticas de Will Eisner, um garoto judeu que morou no Brooklyn e no Bronx, entre o final dos anos de 1910 até 1940, quando foi escalado pelo exército norte-americano para fazer cartilhas e ilustrar material de propaganda para as forças armadas. Ao término das <a href="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/eisner1s.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1373" title="eisner1s" src="http://www.ghq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/eisner1s-194x300.jpg" alt="" width="176" height="271" /></a>guerras, regressou aos bairros novaiorquinos até se mudar com a esposa para a Flórida, na década de 1980.</p>
<p style="text-align: justify;">As histórias que Eisner e Kieślowski narraram continuam emocionando e intrigando as pessoas porque tratam de temas universais, como a inveja, a raiva, o ciúme, o medo de amar, a cobiça, a culpa, a crença e a descrença em um ser superior. Também porque os dois autores nos aparecem não pela porta da frente, mas através de encontros nos corredores e elevadores, no metrô, no meio da rua, numa sala de aula, debaixo de um sol escaldante ou de um rigoroso inverno.</p>
<p style="text-align: justify;">O que difere o quadrinista do cineasta é a forma com a qual eles nos colocam frente a seus personagens. Enquanto Eisner é poeticamente irônico, Kieślowski é denso, existencialista, visceral.</p>
<p style="text-align: justify;">A Devir e a Companhia das Letras (e seu selo exclusivo para quadrinhos, o Quadrinhos na Cia.) lançaram boa parte das graphic novels de Will Eisner, no Brasil, entre elas Nova York – a vida na grande cidade (compilação que reúne Nova York – a grande cidade, O Edifício, Pessoas Invisíveis e Cadernos de tipos urbanos), Avenida Dropsie, Um Contrato com Deus, e o recente Assunto de família.</p>
<p style="text-align: justify;">E Krzysztof Kieślowski teve seus grandes sucessos lançados em DVDs simples ou boxes para colecionadores, pela Versátil Home Vídeo.</p>
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